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Mais de um Século de História

ENERGISA Minas Gerais | História | Mais de Um Século de História


Energisa Minas Gerais é a nova marca da Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina, distribuidora de energia elétrica que atende a uma população de mais de um milhão de pessoas, em 66 municípios da Zona da Mata Mineira e Sumidouro, no estado do Rio de Janeiro. Energisa Minas Gerais é uma nova empresa enraizada em uma tradição de mais de 100 anos de história.

Na virada do século 19 para o século 20, quando a República ainda engatinhava e o processo de industrialização dava seus primeiros passos, teve início o processo de implantação das empresas de energia elétrica no Brasil. Neste cenário, três homens de negócio da Zona da Mata mineira uniram forças dispostos a, literalmente, iluminar os destinos da região. Foi assim que, em 26 de fevereiro de 1905, com espírito empreendedor e idealismo, os advogados José Monteiro Ribeiro Junqueira e Norberto Custódio Ferreira se aliaram ao comerciante João Duarte Ferreira para fundar, no município de Cataguases, a Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina (CFLCL).

Obstinados em tocar o projeto adiante e edificar um Brasil melhor, os fundadores da Companhia não se deixaram abater pelas dificuldades inerentes à implantação de um projeto até então inimaginável para a região. Com incomum persistência e ampla visão de futuro, enfrentaram o descrédito e a desconfiança de muitos na proposta de levar luz elétrica ao interior. Com este espírito, os fundadores da Cataguazes-Leopoldina deram início à realização do sonho de implantar a Companhia, que colocou definitivamente a região nos trilhos do desenvolvimento.

Quando começou o século 20, a Zona da Mata se encontrava economicamente estagnada. A região pagava o alto preço da crise, que se arrastava desde os últimos anos, no setor cafeeiro do País, que havia criado aqui e em outras áreas produtoras uma grande riqueza e uma era de prosperidade. Encerrado este ciclo, começa a ocorrer um crescimento acelerado da urbanização no Brasil, incluindo o surgimento de várias indústrias.

Neste cenário, o capital estrangeiro vislumbrou as excelentes perspectivas abertas pelo nascente mercado de energia elétrica brasileiro, tendo optado, no entanto, por investir em cidades de maior porte. Na virada do século, grupos americanos e canadenses partilhavam com os ingleses o controle dos serviços de bondes e de geração de energia elétrica no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Além da falta de perspectivas de investimentos externos na Zona da Mata, o ainda incipiente sistema bancário brasileiro inviabilizava empréstimos de vulto, estratégia que visava a compensar a falta de excedentes de capital provenientes da produção agrícola que, até o final dos anos 1800, promoviam o desenvolvimento econômico da região.

Particularmente em Cataguases, onde seria implantada a sede da Companhia, a inquietação quanto ao futuro da economia da região era grande. As classes empresariais e lideranças políticas do município não viam a possibilidade de investimentos estrangeiros na região. A solução, segundo avaliavam, passava pela atuação de empresários locais.

Com o apoio de Joaquim Gomes de Araújo Porto, agente-executivo de Cataguases, uma espécie de prefeito nomeado da época, Norberto Custódio Ferreira alia-se a João Duarte Ferreira e ao médico austríaco Maurício Eugênio Murgel para fundar aquela que se tornaria um emblema da identidade sócio-econômica do município: a Companhia Fiação e Tecelagem Cataguases. Paralelamente, havia um plano para criação de uma usina geradora de energia elétrica na região. Apenas Juiz de Fora, cujo processo de industrialização iniciara no final do século 19, dispunha de energia elétrica. Desde 1889, a cidade contava com a Usina de Marmelos, a primeira hidrelétrica da América do Sul.

Certos de que a máquina a vapor estava com os dias contados, os fundadores da fábrica de tecidos perceberam que, em pouco tempo, a utopia da eletricidade se tornaria realidade, alavancando o desenvolvimento industrial não apenas de Cataguases, mas da própria região, já que Leopoldina também sofria os efeitos da decadência agrícola e o êxodo rural. Da mesma forma, empenhado no estímulo a novas atividades, Araújo Porto pregava a união de grandes fortunas de Cataguases e Leopoldina no impulso à economia, por meio de investimentos em um projeto industrial calcado no aproveitamento da energia elétrica.

Para os futuros fundadores da Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina, as palavras de incentivo do agente-executivo do município de Cataguases iluminaram ainda mais o caminho rumo à execução do projeto. Sempre atentos às novas idéias, os empresários administravam suas atividades na agricultura, pecuária e comércio sem perder de vista o progresso. Viajavam muito e liam publicações especializadas vindas da Europa e Estadas Unidos. Tinham, portanto, conhecimento dos avanços do setor elétrico no mundo e da importância da energia elétrica como motor do progresso.

Base do desenvolvimento econômico da região

Únicas sociedades anônimas de capital majoritariamente nacional, a Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina e a Companhia Fiação e Tecelagem de Cataguases foram oficialmente constituídas no dia 26 de fevereiro de 1905. Além da sede em Cataguases, ambas surgiram com o propósito de superar a crise econômica da região. Da mesma forma, estavam diretamente relacionadas ao aproveitamento da energia elétrica, a primeira como geradora e distribuidora e a segunda como consumidora.

Assim nascia a Cataguazes-Leopoldina, uma sociedade anônima com capital inicial de 400 contos de réis, dividido em quatro mil ações com valor nominal de 100 mil réis cada. Conforme o primeiro estatuto da companhia, os objetivos econômicos da empresa eram "a exploração da eletricidade para fins industriais em suas diversas aplicações e o comércio de materiais elétricos, dentro e fora da República, principalmente nos municípios de Cataguases e Leopoldina".

Na reunião que formalizou a constituição do empreendimento, os sócios presentes, que representavam um total de 2.892 ações, elegeram a primeira diretoria da companhia para um mandato até 30 de junho de 1909. Os três acionistas eleitos representavam a espinha dorsal do movimento que levou à criação da companhia: José Monteiro Ribeiro Junqueira, presidente; Norberto Custódio Ferreira, diretor-tesoureiro; João Duarte Ferreira, diretor-secretário.

Desafios da construção da primeira usina

Constituída a Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina, a diretoria enfrentou o primeiro grande desafio da empresa: o de construir uma usina hidrelétrica. Apenas seis meses após a constituição da CFLCL, em 1º de agosto de 1905, eram abertas as propostas apresentadas por seis firmas para realização das obras. Coube ao diretor da Escola Politécnica de São Paulo, engenheiro Antônio de Paula e Souza, realizar os estudos que determinaram a proposta vencedora. Em 21 de maio de 1906, o contrato para a construção da usina era assinado com a Trajano de Medeiros & Cia.

Para complementar os recursos que a obra demandava, os acionistas da Cataguazes-Leopoldina decidiram elevar o capital da empresa de 400 para 720 contos de réis. Paralelamente, eram feitos estudos de viabilidade técnica para a escolha do local mais adequado para a instalação da usina. Os levantamentos indicaram a Cachoeira da Fumaça, no Rio Novo, na altura de Piacatuba, distrito de Leopoldina, como o mais adequado.

Com potencial hidrelétrico de 18 mil cavalos-vapor, o potencial hidrelétrico da Cachoeira da Fumaça possibilitava à Companhia estender o fornecimento de energia a outras cidades da região. Antes mesmo da conclusão da usina, foi assinado um acordo de fornecimento de energia à cidade de São João Nepomuceno e com o industrial Daniel Sarmento, da Companhia Fiação e Tecidos Sarmento. Esse sistema inovador de pré-venda de energia, adotado pela Cataguazes-Leopoldina há um século, é a base do mecanismo de bolsa de mercado futuro.

A construção da usina foi uma verdadeira epopéia. No comando das obras, o engenheiro Otávio Carneiro enfrentou todo tipo de obstáculos, como a topografia acidentada do local, carência de mão-de-obra especializada, estradas precárias para o transporte dos materiais, além de prolongada estação de chuvas. Nenhum desses problemas, no entanto, abatia o ânimo dos diretores da companhia e dos encarregados dos trabalhos.

Marco na história da usina, o lançamento da pedra fundamental da futura hidrelétrica no dia 2 de setembro de 1906 tomou dimensão de festa de confraternização entre os diretores, acionistas, engenheiros, operários e representantes da comunidade local. Faltava, no entanto, um nome para a futura usina.

Durante a cerimônia, o engenheiro Otávio Carneiro propôs a adoção do nome Usina Maurício em homenagem ao homem que, apesar de idoso, deu provas de espírito progressista, facilitando à Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina a aquisição dos terrenos para realização do empreendimento, o coronel Antônio Maurício Barbosa. A proposta foi imediatamente aprovada por Norberto Ferreira, diretor-tesoureiro da Companhia.

Nos dias 7, 8 e 9 de setembro de 1907, durante a Exposição Regional de Cataguases, o povo da região viu, pela primeira vez, a noite iluminada. Naqueles dias, a firma Trajano de Medeiros & Cia fez a instalação provisória da iluminação elétrica nos prédios do Paço Municipal, no Palacete Zeferino, onde funcionava a Sociedade Musical Sete de Setembro, e no jardim do Largo de Santa Rita. O fato, segundo noticiaram os jornais da época, produziu o mais deslumbrante efeito.

Meses antes, a Companhia dava um importante passo rumo ao futuro. No dia 23 de maio de 1907, a Cataguazes-Leopoldina abria o seu capital, tornando-se a terceira sociedade anônima a obter registro na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Finalmente, no dia 3 de julho de 1908, Cataguases tinha seu contato com a luz elétrica, fato que mudaria definitivamente a história sócio-econômica e política da região. Às 20 horas daquele dia, a população festejava o êxito do projeto da CFLCL, que ligou 160 lâmpadas incandescentes de 32 velas e quatro de arco voltaico, de 600 velas.

Entretanto, a chegada definitiva da energia elétrica à cidade ocorreu no dia 14 de julho daquele ano, com a entrada em operação da Usina Maurício. Ave, luz! Quanto é alma e bela, quanto é graça e boa, a luz! Que seria o mundo sem este fluido prodigioso que tudo alegra e fecunda, que tudo aquece e desabrocha, que tudo colore e vivifica?, saudava o Jornal Cataguazes em edição histórica.

Respectivamente nos dias 16 e 23 de julho de 1908, Leopoldina e Rio Novo também viveram a euforia de ver a luz chegar às ruas, residências e estabelecimentos comerciais. Era o início promissor da Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina, rumo a uma participação cada vez mais decisiva no progresso de toda a Zona da Mata mineira.

O aval de acionistas de peso

No final da primeira década do século 20, o município de Cataguases passava por um processo rápido de desenvolvimento industrial e tecnológico. O telefone já havia chegado à cidade, mas não através da Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina, embora fosse a detentora da concessão para exploração da eletricidade em suas diversas aplicações no município, como estabelecia o estatuto constitutivo da empresa.

A Câmara Municipal, no entanto, concedeu o direito a Paulino José Fernandes, em 20 de setembro de 1910. Mas no ano seguinte, em 1911, o do primeiro pagamento de dividendos aos acionistas, a CFLCL passaria a explorar os serviços telefônicos nas cidades de Ubá, Leopoldina e Rio Novo. Atividade logo estendida a Além Paraíba, Visconde do Rio Branco, Mar de Espanha, São João Nepomuceno, Rio Pomba, Guarará, Guarani e Bicas, impulsionada por uma parceria com o Rio de Janeiro e São Paulo Telephone Company. Contudo, em 1929, motivada pela baixa lucratividade e pelos altos custos dos materiais importados, a empresa venderia o negócio na área de serviços telefônicos para a Companhia Telefônica Brasileira.

Contudo, antes da crise da Bolsa de Nova Iorque em 1929, que afetou toda a economia mundial, o rápido e seguro crescimento da Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina consolidava o prestígio do empreendimento para além dos limites de concessão da empresa. Investir na Companhia consolidara-se como um bom negócio, tanto que os papéis da empresa foram negociados com grupos de investidores de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

Tal conceito no mercado tinha o aval de importantes pessoas jurídicas que passaram a fazer parte do quadro de acionistas da companhia, entre elas o Banco de Crédito Real de Minas Gerais, a Companhia Industrial Sul-Mineira (Itajubá) e a Companhia Fiação e Tecidos Sarmento, de São João Nepomuceno.

Em 1915, quando completava apenas 10 anos de fundação e sete anos de efetiva atividade, a empresa contava, entre seus acionistas, com personalidades da vida nacional, inclusive o então presidente de Minas, Raul Soares, e o presidente da República no período de 1914 a 1918, Wenceslau Braz.

Decidida a impulsionar o processo de expansão, a Companhia adquiriu, em 15 de abril de 1918, a Usina Coronel Domiciano, na vizinha Muriaé. Com capacidade geradora de 360 HP, a nova unidade possibilitou à Cataguazes-Leopoldina estender os serviços a oito localidades: Tebas, Guarani, Palma, Laranjal, Piedade, Cisneiros e Santana.

Concretização das metas de crescimento

Ao longo da década de 20, a indústria de energia elétrica apresentou significativo crescimento no Brasil. Dados do recenseamento de 1920 apontavam a energia elétrica como responsável por 47% da força motriz consumida pela indústria no país. A crescente demanda levou a Companhia a adquirir, em 9 de outubro de 1920, a Companhia Pombense de Eletrcidade, proprietária da Usina Santo Antônio, no município de Rio Pomba, logo desativada.

Em substituição, a Cataguazes-Leopoldina partiu para a construção de outra unidade geradora, também em Rio Pomba, denominada Usina Ituerê, inaugurada em 16 de agosto de 1928 com a presença do presidente de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada.

Quatro anos antes, em 1924, ano em que faleceu João Duarte Ferreira, um dos fundadores e membro da primeira diretoria, a empresa procedia à elevação de capital, com a emissão de 20 mil ações, o que garantiria a concretização das metas de crescimento. No ano seguinte, a empresa, uma das primeiras no mundo a adotar o procedimento como política de recursos humanos, instituiu a distribuição de lucros aos empregados, assim comprometidos com a prosperidade da Companhia.

Da mesma forma que permitiu a expansão dos negócios da Cataguazes-Leopoldina, o dinamismo da economia criou condições para a rápida expansão dos serviços públicos urbanos, facilitando desta forma, a hegemonia da Light, que passa a implementar um intenso programa de incorporação de pequenas empresas nacionais de energia elétrica. Com a chegada do grupo norte-americano American Foreign Power, em 1927, fechou-se o ciclo de concentração e centralização do setor elétrico no Brasil. O mercado estava praticamente dividido apenas entre as duas empresas estrangeiras, situação que perduraria até a década de 60.

Novo ciclo administrativo

Desde março de 1931, quando José Monteiro Ribeiro Junqueira assumira o cargo de secretário da Agricultura do governo Antônio Carlos, a Cataguazes-Leopoldina era presidida por Norberto Custódio Ferreira, que conduziu a empresa até os primeiros meses de vigência do polêmico Código das Águas. Criado por decreto pelo então presidente Getúlio Vargas, em 10 de julho de 1934, o instrumento instituía o regime de autorizações e concessões para os aproveitamentos elétricos.

Não bastassem as dificuldades geradas pelos efeitos da recessão de 1929, da Revolução de 30 e pela política econômica do Estado Novo, em 5 de fevereiro de 1935 a empresa perde o presidente Norberto Custódio Ferreira, vítima de enfarte. Encerrava-se, assim, o ciclo administrativo dos fundadores da Cataguazes-Leopoldina.

Diante das circunstâncias e antevendo as mudanças profundas pelas quais passaria o setor elétrico brasileiro, José Monteiro Ribeiro Junqueira decide indicar o engenheiro Ormeo Junqueira Botelho para a presidência da Companhia. Formado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, homem simples e acessível, o novo presidente da Cataguazes-Leopoldina logo imprimiu a marca de sua personalidade na condução do empreendimento como trabalhador disciplinado, observador arguto da realidade, além de um dom especial para inspirar sobriedade e seriedade a quem com ele trabalhava.

De forma emblemática, Ormeo Junqueira Botelho conseguiu as coordenadas ético-profissionais traçadas pelos fundadores da Companhia. À frente da empresa desde 1935, conduziu com extrema competência a expansão da Cataguazes-Leopoldina, tendo atravessado com sabedoria incomum as sucessivas crises geradas pela Segunda Guerra Mundial e, dos anos 50 em diante, pela nova onda estatizante que afetou profundamente o setor elétrico brasileiro.

Eleito deputado federal em 1962, Ormeo Botelho se desincompatibiliza do cargo de diretor-presidente da CFLCL, à qual retornaria, ao término do mandato parlamentar, em 1968, para presidir o Conselho de Administração. Entre 1962 e 1966, a presidência foi exercida pelo também engenheiro Vanor Ribeiro Junqueira, que manteve a política de crescimento da empresa.

Experiência como arma em tempos difíceis

Para enfrentar a onda estatizante dos anos 50, a Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina apostou, primeiramente, na qualidade dos serviços prestados, além da dedicação dos funcionários. A empresa tinha também como arma a experiência adquirida nos tempos difíceis de pioneirismo na geração e distribuição de energia.

Como as empresas de capital privado haviam praticamente sido banidas do setor elétrico, já que qualquer investimento, mesmo em reposição de equipamentos, não encontrava remuneração adequada ao capital empregado, a saída estava na ampliação de antigas instalações ou na obtenção de novas concessões. A solução veio com a construção de mais uma usina no Rio Novo, agora aproveitando toda a queda de 90 metros da Cachoeira da Fumaça, onde já se encontrava instala a Usina Maurício.

A Nova Usina Maurício entrou em funcionamento em março de 1956, operando uma unidade geradora com capacidade de 5 MW. Com o investimento, a Cataguazes-Leopoldina regularizava o fornecimento de energia e o atendimento aos pedidos de novas ligações. Em abril de 1958, mais uma unidade geradora da Nova Usina Maurício entra também em operação, acrescentando outros 5 MW à capacidade inicial. O projeto obteve apoio do então Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE). A terceira turbina, de 11,2 MW, foi implantada em 1970, ano em que a Cataguazes-Leopoldina alterou a sua freqüência de distribuição de 50 hz para 60 hz. Nesse período, a Companhia também adquiriu o direito de distribuição de energia elétrica na cidade de Além Paraíba.

Pioneirismo na eletrificação rural

Quase 20 anos antes de se discutir no País um programa oficial de eletrificação rural, a Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina, mais uma vez, antecipava-se e colocava em prática o pioneirismo que acompanha empresa em um século de história. Em 1966, simultaneamente ao processo de implantação da reforma administrativa e gerencial, a CFLCL criava o serviço de Eletrificação Rural da Zona da Mata (Erzom).

Com financiamento do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (Inda), antecessor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e do Banco do Brasil aos ruralistas da região, o Erzom prestava assistência aos projetos de eletrificação rural. Seguindo o modelo norte-americano de eletrificação rural, o projeto da companhia tinha como base uma ação tripartite, envolvendo governo do Estado, prefeitura local e a concessionária. O programa representou o primeiro grande passo na eletrificação de 100% do meio rural, meta que continua sendo perseguida, atualmente com o Programa Luz para Todos.

Tradição no mercado de capitais

Traçado pelos fundadores a partir do momento em que decidiram tocar o empreendimento adiante, o objetivo de ser uma referência no setor elétrico nacional sempre pautou o comportamento da Companhia. Desde a obtenção do registro número três da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, no dia 23 de maio de 1907, os três fundadores da Cataguazes-Leopoldina perceberam que pulverizar ações e apresentar publicamente bons resultados era uma ótima estratégia de marketing, ou a "alma do negócio", como se dizia àquela época.

O pioneirismo na abertura de capital, quando o conceito de empresa aberta nem mesmo figurava no Direito Comercial brasileiro, facilitou à Cataguazes-Leopoldina a obtenção, seis décadas depois, em 1968, do certificado do Banco Central como companhia aberta. Mais do que o documento obtido no BC, consagrou-se como uma empresa de resultados transparentes.

Em 1971, inconformada com as limitações impostas pela legislação, que a impedia de expandir a atuação além dos limites da Zona da Mata mineira, a Cataguazes-Leopoldina promove o primeiro underwriting público (subscrição de títulos para venda posterior). A operação seria novamente realizada três anos mais tarde, seguindo a tendência internacional de se capitalizar para descentralizar atividades. Estrategicamente localizada no eixo Rio, São Paulo, Belo Horizonte, a CFLCL iniciou o processo de descentralização pelo setor têxtil, estendendo-o posteriormente à área de tecnologia de ponta.

Em 1987, a transparência, ética e confiabilidade pública da Cataguazes-Leopoldina valeram à Companhia o cobiçado Prêmio Mauá, a maior distinção nacional conferida pelo mercado de capitais à empresa de capital aberto que melhor se comunica com os acionistas e o público em geral.

Durante a recessão de 1990, mais uma vez, as mudanças na condução política do governo afetariam os rumos da Cataguazes-Leopoldina. Ao alterar as regras da economia, principalmente com a extinção da reserva de mercado para o setor de informática e a liberação das importações, o governo precipita nova ordem na Companhia, que volta a concentrar as atividades na produção e distribuição de energia elétrica, vendendo suas empresas fora de sua área de origem.

Novo ciclo de expansão

A partir de 1997, com o mesmo espírito dos fundadores de buscar evolução, a Cataguazes-Leopoldina iniciou um novo ciclo de expansão, redirecionando todos os investimentos para o setor elétrico e serviços relacionados. Dentro desta estratégia incorporou mais quatro importantes distribuidoras de energia elétrica ao grupo (Companhia de Eletricidade de Nova Friburgo, em 1997; Empresa Energética de Sergipe, em 1998; Companhia Energética da Borborema, em 1999 e Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba, em 2000).

Em 1999, também criou a Cat-Leo Energia S/A, para operar como Produtora Independente de Energia Elétrica (PIE), empresa que em 2004 transformou-se na Cat-Leo Construções, Indústria e Serviços de Energia S/A, voltada para a prestação de serviços de engenharia, manutenção e operação de hidrelétricas e subestação e fabricação de equipamentos eletromecânicos e hidromecânicos.

Surge o Grupo Energisa

Em 2007, o Sistema Cataguazes-Leopoldina tranforma-se no Grupo Energisa, formado pelas seguintes empresas:

  • Distribuidoras

    Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina (CFLCL), distribuidora de energia elétrica, que atua em 66 municípios da Zona da Mata de Minas Gerais e Sumidouro, no Rio de Janeiro;
    Companhia de Eletricidade de Nova Friburgo (CENF), no município de Nova Friburgo, Rio de Janeiro;
    Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba (Saelpa) e Companhia Energética da Borborema (CELB), cobrindo todo o estado da Paraíba;
    Empresa Energética de Sergipe (Energipe), presente em 63 municípios do Sergipe, o que corresponde a 96% do Estado.

  • Prestadoras de Serviços

    Cat-Leo Construções, Indústria e Serviços de Energia S.A. (Cat-Leo Cise), atuação na operação e manutenção de usinas hidrelétricas, construção e repotenciação de unidades geradoras, gerenciamento de obras, montagem e fornecimento de equipamentos eletromecânicos e hidromecânicos, obras civis e serviços de engenharia.
    Cataguazes Serviços Aéreos de Prospecção (CSA), atuação no mercado de serviços de inspeção termográfica aérea e içamento de cargas.
    Teleserv (LIG-TV), empreendimento na área de TV por assinatura e banda larga sem fio, na cidade de Aracaju.
    Cat-Leo Comercializadora de Energia Ltda, empresa com atuação na comercialização de energia elétrica, na produção de serviços e consultorias em temas ligados a essa atividade.

    Em 2008, o Grupo Energisa investe em uma grande mudança de marca e todas as suas controladas passam a ter um único nome: Energisa. Assim, nasce:

  • Energisa Minas Gerais (ex Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina - CFLCL);
  • Energisa Nova Friburgo (ex Companhia de Eletricidade de Nova Friburgo - CENF);
  • Energisa Paraíba (ex Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba – Saelpa);
  • Energisa Borborema (ex Companhia Energética da Borborema – CELB);
  • Energisa Sergipe (ex Empresa Energética de Sergipe – Energipe);
  • Energisa Soluções (ex Cat-Leo Construções, Indústria e Serviços de Energia S.A. - Cat-Leo Cise);
  • Energisa Serviços Aéreos (ex Cataguazes Serviços Aéreos de Prospecção - CSA);
  • Energisa Comercializadora (ex Cat-Leo Comercializadora de Energia Ltda).

    Também em 2008, para atender ao objetivo de voltar a investir em geração, o Grupo Energisa criou a Energisa Geração.
  • Título

    Central de Soluções

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