Confira os relatórios de análise das contribuições recebidas na Audiência Pública 001/2023
O desafio de colocar em prática o programa Mais Luz para a Amazônia é grande, mas o Grupo Energisa já começou os trabalhos para levar 3.264 ligações de energia a locais remotos da região. O objetivo do Governo Federal é chegar à universalização do serviço em até dois anos com o apoio das distribuidoras.
Responsável pelas concessões no Acre, Mato Grosso, Rondônia e Tocantins (que compreende também Amapá, Amazonas, Pará, Roraima e Maranhão), o Grupo Energisa é o principal distribuidor de energia da Amazônia Legal, região com o maior número de comunidades isoladas do país e onde vivem cerca de 7 milhões de pessoas.
Em Rondônia, os trabalhos já começaram. A empresa Eletrobrax foi contratada pela Energisa e tem como meta fazer o levantamento de dados sobre as comunidades com potencial para receber o fornecimento de energia.
Dário Sérgio Machado, gerente de Negócios da Eletrobrax, explica que as duas equipes de campo que atuam no projeto têm de identificar desde as dificuldades de acesso aos locais até as características de cada residência e comércio visitados – por exemplo, número de moradores, de eletrodoméstico, fonte de renda.

Comunidades remotas
Trabalhos in loco costumam ser mais trabalhosos. No caso de Rondônia, o desafio é ainda maior, a começar pelo acesso às comunidades remotas. As viagens só podem ser iniciadas depois de as duas equipes da Eletrobrax se certificarem das condições de acesso. Essa fase, segundo Machado, é uma das mais críticas. Mesmo com a dificuldade de comunicação em muitas localidades, antes de iniciar o percurso é preciso saber se as estradas estão transitáveis e se os rios têm vazão suficiente para permitir a navegabilidade dos barcos até os destinos. Dependendo do destino, pode ser necessário enfrentar 200 quilômetros de mata fechada em um veículo 4X4 ou um dia inteiro de viagem de barco. Não se pode afastar a hipótese de surpresas como onças e sucuris.
As informações coletadas serão repassadas à Energisa, que, a partir daí, poderá traçar um plano de execução para implementar as melhorias previstas pelo Mais Luz para a Amazônia. Na primeira fase do programa, a previsão é levar o fornecimento de energia a um total de 300 unidades, entre residências e pequenos comércios. A meta total do programa é chegar a 1.294 unidades consumidoras até o final de 2021, num total de R$ 82 milhões investidos, desembolsados pela União e pela Energisa.
Rainon da Silva Brasil, gerente de projeto do Mais Luz para a Amazônia da Energisa e engenheiro eletricista, explica que o programa federal foi criado com finalidade de fornecer energia elétrica à população brasileira residente em regiões remotas da Amazônia Legal que, pelas características geográficas e ambientais, não poderia ser atendida por meio da extensão de rede elétrica convencional. Por isso, as localidades mapeadas vão contar com placas de energia fotovoltaica, que serão instaladas em cada unidade.
Ajuda do satélite
Antes de a Eletrobrax definir o roteiro para a coleta de dados presencial, foi preciso contar com a ajuda da tecnologia. Por meio de imagens de satélite, foi feito o levantamento da localização provável das comunidades. “É o tipo de trabalho que exige desde o uso de equipamentos de ponta até o esforço de longas viagens para chegarmos às localidades. Isso dá uma ideia da celeridade que estamos dando ao programa”, diz Silva Brasil.
O programa do governo federal exige uma série de pré-requisitos na seleção dos beneficiados com a geração de energia elétrica a partir de fontes limpas e renováveis. Têm prioridade no atendimento as famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) ou em programas estaduais.
Também são grupos prioritários os moradores de assentamentos rurais, comunidades indígenas, quilombolas e famílias residentes em unidades de conservação. Ao levar geração de energia elétrica a partir de fontes limpas e renováveis a esses grupos, o governo espera fomentar o desenvolvimento dessas populações, reduzindo a vulnerabilidade social e econômica.
“Apesar de a primeira fase ter a previsão de atender a 300 unidades consumidoras, não dá para saber de antemão o que vamos encontrar em cada comunidade. Algumas casas podem estar vazias, as famílias podem ter aumentado e construído mais residências, por exemplo”, exemplifica Machado.
Cuidados com a pandemia
As informações preliminares apontam que a equipe da Eletrobrax deverá encontrar 3 comunidades na região central de Rondônia, 10 no Norte e 2 no Sul. Na primeira etapa, Machado prevê a visita às comunidades que vivem na reserva extrativista Aqualiquara, próxima aos municípios de Pimenteiras do Oeste (município margeado pelo Rio Guaporé) e Seringueiras (região de Primavera).
No caso das visitas a aldeias, é preciso ter a autorização e o acompanhamento da Funai – só na região Norte serão três áreas indígenas. Por conta da pandemia do novo coronavírus, o prazo de dois meses para a conclusão dessa fase do projeto pode se estender por mais tempo.
“Mesmo com tantas dificuldades, é um projeto muito importante, porque leva condições mais dignas para essas pessoas”, opina Machado. Hoje, alguns desses povoados utilizam geradores para ter energia em parte do dia. Além do custo, essa é uma alternativa poluente.
Com a chegada a energia, não são apenas os hábitos domésticos que deverão mudar, lembra o gerente da Eletrobrax. “Os impactos são grandes. Vão da compra de geladeira ou aparelho de TV, até a instalação de antena de internet.
“Nas cidades grandes, se paga a energia depois que se usa. Aqui, a gente paga para poder usar”, afirma Pedro Nascimento, morador da Vila Restauração, comunidade ribeirinha de 750 habitantes localizada no município de Marechal Thaumaturgo, no Acre. “Energia é vida. No escuro, tudo fica mais difícil.”
Conviver com a escuridão sempre foi a realidade de Nascimento. A Vila Restauração nunca contou com fornecimento contínuo de energia. No melhor cenário, seus moradores obtinham 4 horas de eletricidade por dia. Sem contar com fornecimento, a população dependia de geradores a diesel para, ao menos, ter alguma iluminação durante a noite. “A carne estraga, tudo estraga porque não tem energia”, lamenta Maria Valcélia, também moradora da comunidade.
No final do ano passado, a realidade desses ribeirinhos começou a mudar. Em parceria com a Alsol, empresa especializada em energias renováveis, a Energisa, principal distribuidora da Amazônia Legal, instalou um projeto piloto para levar energia solar à comunidade. Ricardo Botelho, presidente da companhia, foi pessoalmente ao local, junto com as equipes técnicas da Energisa, para apresentar a solução aos moradores.
“Nós temos a missão de levar energia de qualidade a todas as regiões do Acre”, afirmou o presidente. “Essa missão não é simples e vem sendo negligenciada há décadas. Cidades como essa nunca tiveram atendimento adequado”. Botelho destacou que, com apenas um ano de operação no Estado, a Energisa foi capaz de apresentar um plano viável aos moradores. Ele também ressaltou a importância de se usar geração limpa para projetos como o da Vila Restauração. A outra opção, as usinas térmicas a diesel, além de muito mais cara, é extremamente poluente.
A realidade da Vila Restauração não é única. Em todo Brasil, existem 271 “sistemas isolados”, como são chamadas as usinas de geração que não estão conectadas ao Sistema Integrado Nacional (SIN), rede de transmissão de energia que passa por todos os Estados brasileiros. Os maiores problemas desses sistemas são o custo e a falta de segurança energética. Na maioria dos casos, quem depende deles acaba recebendo uma eletricidade intermitente, apenas por algumas horas do dia.
São mais de 3 milhões de pessoas no Brasil vivendo nessas condições, a grande maioria na região Norte. Apesar do número de famílias que dependem desses sistemas ser elevado, eles geralmente atendem pequenas comunidades, algumas delas com menos de 100 habitantes (a exceção é Boa Vista, em Roraima, que é a única capital não interligada ao SIN). Apenas na Amazônia, o ministério de Minas e Energia estima que existem 82 mil famílias com acesso precário à energia.
A distância e o isolamento são as maiores dificuldades para se levar energia a essas localidades. Vila Restauração, por exemplo, fica a 70 km de Marechal Thaumaturgo e só é acessada de barco. É por esse motivo que a geração solar se mostra a solução mais adequada para resolver o problema. “É a energia mais limpa, inesgotável e acessível do mundo”, afirma Gustavo Malagoli, presidente da Alsol.
Ao buscar uma solução renovável para o desafio de levar energia aos mais distantes rincões do País, Energisa e Alsol também solucionam um problema econômico. Contando com Boa Vista, que tem mais de 300 mil habitantes, os sistemas isolados atendem a 1,6% da população brasileira. A carga desses sistemas representa menos de 1% do total gerado no País. O dinheiro para viabilizar as operações vem da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), encargo que é cobrado nas tarifas de distribuição. Embora o volume de energia utilizado seja pequeno, este ano, a CCC deve chegar a 7,6 bilhões de reais.
O alto custo se deve ao uso do diesel, que abastece 94% dos sistemas isolados, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Além do gasto financeiro, as térmicas representam um passivo ambiental por serem extremamente poluentes. As emissões estimadas dos sistemas isolados para este ano chegam a 2,7 milhões de toneladas de carbono.
Desafio para a Região Norte
Dos 271 sistemas isolados no Brasil, 269 se encontram na Região Norte. O Estado do Amazonas é o que mais sofre com o problema, com 95 localidades. Na área de concessão da Energisa, são 36 sistemas isolados: 9 no Acre, 1 no Mato Grosso e 26 em Rondônia. Nos três Estados, mais de 490 mil pessoas vivem em comunidades não integradas ao SIN.

Os sistemas isolados na área de Concessão da Energisa
Em Rondônia, o trabalho da Energisa tem se concentrado na construção de subestações que vão permitir a substituição das térmicas a óleo diesel por soluções renováveis. Até 2022, estão previstos os desligamentos de 12 usinas no Estado. Para isso, serão investidos quase 700 milhões de reais. Até dezembro, por exemplo, a região do Vale do Guaporé vai receber 225 milhões de reais em um projeto que beneficia mais de 90 mil moradores dos municípios de Presidente Médici, Alvorada D’Oeste, São Miguel do Guaporé, Seringueiras, São Francisco, São Domingos e Costa Marques.
Com o desligamento de todas as termelétricas no Estado, a previsão é de uma economia de 1,7 bilhão de reais no custo de geração, nos próximos 14 anos. Além dessa economia, a Energisa ajuda a reduzir a emissão de carbono na atmosfera, ação fundamental para combater as mudanças climáticas.
Como levar energia para a Amazônia
O jornal Valor Econômico, o principal diário econômico do País, publicou uma matéria destacando que o debate sobre como atender a demanda de energia dos povos amazônicos é antigo. Segundo a publicação, há outros desafios na região, além de levar energia a povos isolados. Existem municípios de maior porte que também dependem da construção de infraestrutura, como grandes linhas de transmissão, para se conectar aos Sistema Integrado Nacional.
Esse debate voltou à tona em função do apagão que ocorreu no Amapá. Uma explosão em uma subestação deixou os amapaenses sem energia por um mês. A demora em retomar o abastecimento de energia revelou as dificuldades de manutenção e fiscalização da infraestrutura elétrica na Amazônia.
A conexão ao SIN se mostra imprescindível para garantir a segurança energética da população, tanto em regiões isoladas, quanto nas grandes metrópoles do Norte do País. A boa notícia é que, desde a privatização das distribuidoras da Eletrobras no Acre e em Rondônia, assumidas pela Energisa, os trabalhos de conexão se intensificaram, de acordo com a reportagem do Valor Econômico.
“A companhia conduz um plano de conexão de municípios no Acre e em Rondônia ao sistema nacional. Uma das primeiras iniciativas tomadas pela Energisa assim que assumiu as concessões no Norte foi implementar um sistema para comandar as subestações à distância, a partir de um centro de operações integrado”, diz o texto da reportagem, assinada pela jornalista Gabriela Ruddy. Como disse Ricardo Botelho, presidente da Energisa, aos moradores da Vila Restauração, a missão da empresa é levar energia de qualidade para todos os lugares. E não haverá descanso.
Marcado por alta incidência de raios e ventos fortes, o período de chuvas em Rondônia já começou e deve prosseguir até fevereiro de 2021, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). “A combinação de alta temperatura e altos índices de umidade favorece a formação de temporais”, explica o meteorologista Heráclio Alves. Dos 2.255 milímetros previstos para o ano em Porto Velho, por exemplo, 65% correspondem a esses meses.
O início dessa temporada foi sentido já nos primeiros dias de outubro (4, 5 e 6), em que Rondônia registrou chuvas de alta intensidade, com ventos de até 80 km/h, aumentando em 12% o número de ocorrências emergenciais da Energisa no mês, o equivalente a quase 2 mil chamados a mais, na comparação com o ano anterior.
Durante os temporais, são frequentes casos de quedas de árvores, deslizamento de terras e objetos que são lançados sobre a rede, causando o rompimento de cabos de energia e a destruição de postes, provocando o desabastecimento de energia. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os raios são responsáveis por cerca de 70% dos desligamentos na rede de transmissão e 40% na de distribuição de energia e queima de transformadores no Brasil.
Para monitorar toda a região previamente e em tempo real, a concessionária conta com a ferramenta de Alerta de Situação Climática, criada pelo Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), em parceria com a Aneel e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Sempre que há alguma ocorrência, comprometendo o fornecimento de energia para um bloco grande de clientes, é emitido um alerta no Centro de Operações Integrado da Energisa. Apesar disso, a distribuidora orienta que o cliente faça contato por meio dos Canais de Atendimento (08006470120 - ligação gratuita; WhatsApp: 69 - 99358 9673 - Gisa, atendente virtual; ou aplicativo para celular Energisa On - disponível para iOS, Android e Windows Phone) e informe a falta de energia.
Mas, antes de realizar o contato com a concessionária, é importante verificar se os disjuntores internos e externo estão ligados, para evitar deslocamentos desnecessários das equipes operacionais no dia a dia do atendimento emergencial. “Preparamos e treinamos nossas equipes para essa temporada e adotamos estratégias de atuação para cada ocorrência, garantindo uma maior eficiência”, complementa Ramon Pessoa, coordenador de qualidade.
Segundo ele, os altos investimentos da Energisa em modernização e automação da rede garantiram a estabilidade e a qualidade no fornecimento. Em dois anos de concessão, a concessionária instalou cerca de 200 equipamentos automatizados na rede, que têm papel importante em dias de desafios climáticos. “Nesses dias mais intensos de chuva, cerca de 50% das interrupções de energia foram revertidas em menos de três minutos”, comenta.
Com a automação, o sistema identifica o problema e tudo é resolvido remotamente, sem a necessidade de enviar equipe em campo, o que poderia levar horas, dependendo da localização da ocorrência, já que um dos maiores desafios das equipes é com a extensão territorial do Estado.
Durante essa temporada de tempestade, é sempre importante lembrar que a população precisa tomar alguns cuidados para se proteger. Confira no quadro abaixo dicas de segurança:









