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Tuiuiú do Pantanal ganha protagonismo na agenda climática rumo à COP30 Tuiuiú do Pantanal ganha protagonismo na agenda climática rumo à COP30

Publicada em: 30/10/2025

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Brasil

Tuiuiú do Pantanal ganha protagonismo na agenda climática rumo à COP30

O tuiuiú foi declarado oficialmente a ave-símbolo do Pantanal sul-mato-grossense por meio de lei estadual. A decisão, em junho, reconhece não apenas a importância cultural, ambiental e turística da espécie, mas também ocorre em um momento em que o Pantanal, ameaçado por sucessivas ondas de incêndios, busca reafirmar sua importância na agenda climática global. 

Muito antes das queimadas, um ninho de tuiuiús que se erguia sobre uma piúva, nome regional do ipê-roxo, já era considerado um cartão-postal de Corumbá (MS). Localizado a apenas 15 metros da BR-262, atraía turistas durante a época reprodutiva da ave. Reconhecendo esse valor cultural e ambiental, a prefeitura publicou, em 2011, um decreto declarando o ipê imune de corte e reconheceu oficialmente o ninho como patrimônio local. Em 2020, no entanto, uma estiagem severa reduziu em 50% o volume de chuvas no Pantanal, e mais de 21 mil focos de incêndio consumiram quase um terço do bioma. Entre as perdas, estava o ninho tombado.  

Foi nesse cenário que nasceu a ideia de devolver um lar aos tuiuiús. A proposta, desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Pantanal e do Instituto Arara Azul, ganhou corpo com a ajuda da Energisa, que construiu no mesmo local uma estrutura metálica inspirada nos ninhos artificiais de cegonhas da Europa. A experiência da empresa com torres de energia permitiu que o ninho fosse instalado com segurança, na altura ideal para receber a ave. 

Três anos depois, em 2023, biólogos registraram o nascimento dos primeiros filhotes em um ninho artificial de tuiuiú. O fato mostrou como ciência, tecnologia e engajamento comunitário podem se unir não apenas para recuperar um patrimônio natural, mas para garantir a continuidade da vida em um bioma marcado pela devastação.  

Em 2024, o Pantanal voltou a ser devastado pelas queimadas: 2,6 milhões de hectares foram atingidos, de acordo com o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro — o segundo pior resultado já registrado, atrás apenas de 2020. A repetição dos incêndios reforçou a vulnerabilidade do bioma, mas também deu novo peso simbólico ao ninho artificial, que resistiu às chamas e se consolidou como exemplo de resiliência em meio à destruição. 

Tuiuiú e a COP30  

Agora, em 2025, com a oficialização do tuiuiú como ave-símbolo estadual, a história ganha dimensão política e simbólica. O Pantanal, que ocupa 2% do território nacional e é a maior planície alagável do planeta, já entrou no radar de pesquisadores, ONGs e até do Congresso Nacional, terá representação na COP30, sendo tratado como um dos biomas prioritários do evento climático mundial que acontece em novembro em Belém. Nesse contexto, iniciativas como a dos ninhos artificiais, apoiadas pela Energisa, tornam-se exemplos de restauração ecológica replicável, alinhadas às metas brasileiras de adaptação e conservação. 

Mais do que a volta de uma ave ao seu lar, o voo do tuiuiú simboliza a mensagem que o Brasil quer levar à COP30: que ciência, tradição e inovação podem se unir para proteger seus biomas — e transformar perdas em símbolos de resiliência. 

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Artigo: O Brasil e o trunfo da multipotencialidade energética Artigo: O Brasil e o trunfo da multipotencialidade energética

Publicada em: 10/10/2025

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Artigo: O Brasil e o trunfo da multipotencialidade energética

O Brasil chega à COP 30 em uma posição privilegiada. Atualmente, quase 45% da energia consumida no país vem dessas fontes renováveis, contra uma média mundial de apenas 15%, de acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética. Esse diferencial nos coloca como uma referência global, com a possibilidade concreta de liderar uma transição energética realmente democrática, ou seja, viável economicamente e que chegue para todos.

Para isso, precisamos de multipotencialidade de fontes e uma articulação adequada para a adição dessas fontes em nossa matriz, suportando o desenvolvimento socioeconômico do país e descarbonizando setores hard to abate. Diferente da substituição pura e simples de combustíveis fósseis por renováveis, é imperativo combinar diferentes tecnologias e fontes de energia de modo inteligente, aproveitando a vocação de cada um. Essa abordagem tem um objetivo claro: enfrentar o trilema energético, que exige equilíbrio entre segurança do suprimento, sustentabilidade ambiental e modicidade tarifária.

Nesse cenário, o gás natural e o biometano cumprem um papel fundamental. O gás natural, abundante e já presente em nossa infraestrutura, funciona como combustível de transição. Ele garante confiabilidade ao sistema em momentos de intermitência das renováveis e substitui fontes mais poluentes, como o óleo combustível e o carvão. Estamos vendo isso no dia a dia nas cinco distribuidoras que fazem parte do portfólio do Grupo Energisa no Espírito Santo, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. Ao mesmo tempo, o gás natural cria as bases logísticas e tecnológicas para a chegada de moléculas de baixo carbono.

O biometano, por sua vez, materializa de forma exemplar o conceito de adição energética. Em 2026, passaremos a produzir o biogás e biofertilizante a partir de resíduos agroindustriais na nossa primeira usina, que será a maior do estado de Santa Catarina. Modelos como os que estamos desenvolvendo conectam energia e economia circular, reduzindo emissões, reaproveitando recursos e promovendo desenvolvimento regional.

Daniele Salomão

A expansão desse conceito pode diminuir a dependência de importações, substituir parte relevante do diesel na frota pesada e reduzir custos logísticos da indústria, ao mesmo tempo em que gera renda no campo. Trata-se de uma solução que endereça simultaneamente as três dimensões do trilema: é limpo, competitivo e seguro do ponto de vista de abastecimento em um país com tanta vocação para a agroindústria.

É importante termos claro que o avanço da eletrificação já em curso implica uma pressão sem precedentes sobre o consumo de energia. Ondas de calor, digitalização da economia e crescimento de data centers já são fatores que ampliam exponencialmente a demanda. É nesse contexto que a adição energética se mostra essencial. Em vez de escolher uma tecnologia, o Brasil precisa orquestrar sua pluralidade de fontes, combinando hidrelétricas, solar, eólica, biomassa, biometano, gás natural e, futuramente, hidrogênio, em um arranjo equilibrado que maximize as vantagens de cada uma.

Esse mix de fontes pode, inclusive, ajudar a resolver um dilema em áreas remotas da Amazônia Legal, que não estão conectadas ao Sistema Interligado Nacional. A região gera 26% da energia consumida no país e, no entanto, ainda tem mais de um milhão de pessoas sem acesso à energia limpa e de qualidade. Em muitos casos, a população de comunidades inteiras têm energia por apenas algumas horas por dia graças ao uso de óleo diesel, um combustível altamente poluente. Algo inimaginável em 2025.

A coordenação de sistemas fotovoltáicos off grid com armazenamento por baterias e usinas termelétricas movidas por gás natural pode ser a solução para esse problema na Amazônia. O modelo, desenvolvido pela Energisa e já testado na comunidade da Vila Restauração, no Acre, oferece confiabilidade no fornecimento e redução das emissões de CO², contribuindo para a descarbonização da região que vai ser palco da COP. O modelo pode ser replicado para várias áreas isoladas na Amazônia, produzindo ainda um impacto positivo na tarifa de energia em todo o país, com a redução estrutural dos custos suportados pela Conta de Consumo de Combustíveis. Isso é democratizar o acesso ao insumo.

Essa estratégia não é apenas ambiental, é também econômica e geopolítica. Ao diversificar e integrar soluções energéticas, o Brasil aumenta sua resiliência, atrai investimentos de longo prazo e se coloca como fornecedor confiável de energia limpa. Além disso, reforça sua competitividade interna, reduzindo o risco de sermos o país da energia abundante, mas da conta cara, em razão de encargos e ineficiências acumuladas.

A COP 30, em Belém, é uma oportunidade histórica para mostrar ao mundo que o Brasil tem mais do que ambição: tem condições concretas de liderar. Liderar não apenas pela diversidade de fontes, mas pela capacidade de dar materialidade ao conceito de adição energética, integrando moléculas, elétrons e bites, que vão viabilizar todo esse processo com inovação. Mas essa liderança só será possível se governos, empresas, universidades e sociedade civil atuarem de forma coordenada e com visão de longo prazo.

Se conseguirmos avançar nessa agenda, estaremos não apenas enfrentando o desafio climático, que é talvez o maior que nós humanos já vivenciamos, mas também desenhando uma estratégia de desenvolvimento nacional baseada em segurança energética, inclusão social e protagonismo internacional.

O mundo busca soluções e o Brasil tem os recursos, a experiência e, sobretudo, a oportunidade de mostrá-las.

 

Daniele Salomão é vice-presidente de Gente, Gestão, Sustentabilidade e Comunicação do Grupo Energisa

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