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Corrida de Reis celebra 40 anos em Cuiabá com recorde de participação Corrida de Reis celebra 40 anos em Cuiabá com recorde de participação

Publicada em: 14/01/2025

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Mato Grosso

Corrida de Reis celebra 40 anos em Cuiabá com recorde de participação

Neste último domingo, 12 de janeiro, Cuiabá foi palco da 40ª edição da tradicional Corrida de Reis, a maior corrida de rua do centro-oeste. O evento bateu recorde de inscrições este ano, ultrapassando a marca de 20 mil participantes, entre corredores amadores, entusiastas do esporte e atletas de elite nacionais e internacionais. A Energisa esteve duplamente representada: além do patrocínio, centenas de colaboradores participaram da corrida. Um deles foi Vinícius Tavares, eletricista de distribuição em Rondonópolis, que viveu a emoção de sua primeira corrida de rua:

Comecei a correr tem pouco tempo, alguns meses só, já focado na preparação para a Corrida de Reis. É a minha primeira corrida de rua, o primeiro evento desse tipo que participo. Os dias anteriores foram de muita ansiedade, mas conseguir completar os 10 km da prova foi muito gratificante”, disse Vinícius.

Vinícius Tavares, eletricista de distribuição da Energisa MT


A Corrida de Reis, criada em 1984, promove a prática esportiva em Mato Grosso e tornou-se um importante evento no calendário esportivo nacional, sendo comparada à São Silvestre paulistana por sua tradição. Ao longo dos anos, cresceu exponencialmente ganhando projeção no Brasil e no mundo. Grandes nomes do atletismo brasileiro – como a atleta olímpica Marily dos Santos e o medalhista panamericano Giovani dos Santos – já passaram pelo percurso, além de corredores africanos que tradicionalmente dominam as primeiras colocações das provas de rua.

A corrida também representa histórias de superação e bem-estar para os colaboradores da Energisa. Erivelton Oliveira, que trabalha no Centro de Operações Integradas (COI) da empresa em Cuiabá, é um entusiasta da corrida de rua, que mudou sua qualidade de vida, saúde e o ambiente no trabalho. Além de correr, Erivelton é voluntário e ajuda na distribuição dos kits para os atletas.

A corrida entrou na minha vida há alguns anos e veio para ficar. Comecei caminhando por orientação médica, agora treino todos os dias. A corrida me traz muitos benefícios físicos e também mentais, como foco e alívio do estresse. Fui puxando outros colegas para o mundo da corrida e hoje temos um grupo no WhatsApp para combinar treinos e compartilhar dicas de exercício e alimentação. O percurso deste ano contou com menos subidas, mas o calor foi um grande desafio. A organização da prova é perfeita nesse sentido, com pontos de hidratação a cada 2 km”, relatou Erivelton.

Erivelton Oliveira, operador do COI da Energisa MT


O novo percurso veio para celebrar os 40 anos da prova. Começando na tradicional Ponte Sergio Motta, a corrida percorreu as ruas da capital até o SESI Papa, na Avenida Oátomo Canavarros, passando por pontos emblemáticos da cidade, como a Avenida Rubens de Mendonça, proporcionando aos corredores e espectadores uma experiência que mistura desafio esportivo e contemplação da paisagem urbana.

A segurança também é um destaque, com apoio de mais de 300 profissionais entre policiais, agentes de trânsito, equipes médicas e voluntários. Esta edição comemorativa foi um marco não apenas para o esporte, mas também para a cidade de Cuiabá, que acolhe com entusiasmo corredores e turistas de todo o mundo.

Vantuir da Silva Ferreira, é mais um operador do COI em Cuiabá e sempre praticou esportes. Ele é mais um entusiasta do atletismo e agora não corre mais sozinho: ele passou a paixão pelo esporte para a filha, que o acompanha em treinos e provas.

Eu sempre pratiquei esportes, jogava futebol, queria ser profissional, mas em um momento a carreira não decolou. Trabalho na Energisa há muitos anos e achei na corrida uma forma continuar me exercitando. Participo da Corrida de Reis desde 2017 e há 3 anos arrastei minha filha para o esporte e ela corre comigo também. É muito gratificante, porque é uma atividade física importante e por essa união da família”, revelou Vantuir.

Vantuir da Silva Ferreira, operador do COI da Energisa MT


Outra história de superação é a do eletricista de linha viva Sidnei Braga, de Juína, que percorreu 800 km para participar da prova pela segunda vez.

Juína é longe de Cuiabá, mas vale o esforço. A corrida entrou na minha vida há 3 anos e fez eu mudar todos os meus hábitos. Cheguei a pesar 110 kg, mas com o esporte e a alimentação, tudo mudou. Hoje, treino todo dia e estou trabalhando para chegar entre os 50 primeiros e fazer parte do pelotão de elite das corridas de rua”, contou Sidnei.

A Corrida de Reis de 2024 celebra o esporte e reforça a importância de eventos que promovem a integração social e cultural, transformando Cuiabá em um verdadeiro palco de superação e celebração. Seja para quem competiu ou apenas assistiu, o evento foi mais uma vez um sucesso do atletismo com a força da Energisa.

 

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Jardim de Pedra: a história esquecida de Glauce Rocha Jardim de Pedra: a história esquecida de Glauce Rocha

Publicada em: 06/01/2025

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Mato Grosso do Sul

Jardim de Pedra: a história esquecida de Glauce Rocha

Você já ouviu falar em Glauce Rocha? É um nome que circula muito por aí, nomeando ruas, praças e teatros em diversas cidades do país. Em Campo Grande/MS, seu nome batiza o teatro da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Mas afinal, quem foi Glauce Rocha?

Foi cursando jornalismo na UFMS que Daphyne Schiffer também se fez essa pergunta. Dessa curiosidade inquietante nasceu o curta-metragem documentário Jardim de Pedra: Vida e Morte de Glauce Rocha, dirigido por Daphyne e Rodrigo Rezende. O filme pode ser assistido dentro de uma exposição sobre Glauce que ocupa o Espaço Energia em Campo Grande até o dia 14/02.

Na época do curso de jornalismo, eu sempre frequentei o Teatro Glauce Rocha, que é o maior teatro da cidade. Eu sempre perguntava para as pessoas, quem foi Glauce Rocha? Ninguém sabia dizer, alguns achavam que era um homem. Eu quis descobrir quem era essa mulher, o que ela tinha feito, por que que ela dá nome a um teatro. Assim eu comecei a pesquisa e fui me apaixonando cada vez”, contou Daphyne.

Nascida em Campo Grande, em 1930, Glauce Rocha destacou-se como uma das grandes atrizes do teatro e do cinema brasileiros. Quando a atriz nasceu, o Mato Grosso ainda era unificado. Vinda de uma região ainda pouco representada nas artes nacionais, Glauce trouxe um olhar único e poderoso para o palco e as telas. Mudando-se para o Rio de Janeiro, logo se integrou aos círculos artísticos, tornando-se uma das vozes ativas do Cinema Novo, movimento que revolucionou o cinema brasileiro com sua abordagem crítica e inovadora.

No teatro, Glauce brilhou em montagens marcantes, sendo reconhecida por sua presença cênica e intensidade emocional. No cinema, atuou em filmes emblemáticos, como Os Cafajestes (1962), obra que desafia tabus da sociedade da época; Terra em Transe (1967), de Glauber Rocha, uma das obras-primas do Cinema Novo; além do icônico e revelador 5x Favela (1962). Seus trabalhos não apenas consolidaram sua posição como uma das grandes intérpretes brasileiras, mas também contribuíram para discutir temas políticos e sociais que marcaram os anos 1960 e 1970.

Um painel da exposição com fotos e a frase de Glauce Rocha: "Olha, o senhor me dá a licença de acreditar na natureza humana?"


Toda essa trajetória brilhante foi interrompida precocemente em 1971, aos 41 anos, devido a complicações de saúde. Sua morte foi uma perda irreparável para a cultura brasileira. Como no Brasil nem sempre temos os grandes nomes da cultura lembrados e reverenciados como deveriam, o filme de Daphyne Schiffer lança uma luz fundamental no legado desta grande mulher brasileira. A pesquisa foi intensa e envolveu a busca por fontes em Campo Grande, Rio de Janeiro e São Paulo.

Quando decidi fazer a pesquisa, tudo começou como meu trabalho de final de curso, mas o projeto foi crescendo. Sabendo que ela tinha trabalhado no Rio e em São Paulo, viajamos para lá e conseguimos entrevistar pessoas importantes que tiveram muito contato com a Glauce, como o Cacá Diegues. Fiz pesquisas no Arquivo Nacional e depois fui para São Paulo, onde conversei com atrizes que acompanharam a carreira da Glauce, como Norma Blum. Mas o lugar mais importante foi a Cinemateca Brasileira”, disse Daphyne.

A pesquisa na Cinemateca Brasileira trouxe à tona muitas informações sobre filmes, peças e participações de Glauce na construção de um cinema nacional vivo, premiado e combativo. Apesar de seu enorme talento, Glauce Rocha não era uma atriz que queria o glamour do tapete vermelho. Os holofotes só serviam para quando estava em cena. Totalmente entregue com paixão à sua profissão, Glauce atuava como quem luta para educar e transgredir.

Um painel da exposição com fotos e a frase de Glauce Rocha: "Minha função não é ser estrela, é ser atriz"

Com o material que recolhemos, é possível fazer um longa sobre a Glauce. Achei histórias maravilhosas. Como quando um espectador dormiu no meio de uma peça e ela o acordou dizendo que teatro não era lugar de dormir e sim de refletir! Outra bem impactante é quando uma de suas falas em uma peça foi censurada pela ditadura militar. Glauce usou gestos bem expressivos que traduziam no corpo o que não podia ser dito em voz alta. Isso saiu nos jornais, ela foi levada à delegacia, teve que prestar depoimento e correu muitos riscos, mas não admitia ser censurada”, contou a diretora.

A passagem pelo Rio de Janeiro levou Daphyne ao Retiro dos Artistas, um local que já teve um jardim com o nome de Glauce Rocha, segundo seu biógrafo José Octávio Guizzo. Mas, o Brasil é mesmo um país afeito a apagamentos. Aqui onde tudo parece construção e já é ruína, como diz Caetano Veloso.

Quando cheguei ao Retiro dos Artistas não achei o jardim, achei apenas um pátio acimentado, um jardim de pedra. Isso me pareceu tão simbólico sobre esses esquecimentos e o que escolhemos lembrar da nossa cultura. Ali entendi que essa metáfora deveria ser o nome do filme”, revelou Daphyne.

No documentário, a atriz Norma Blum nos fala sobre como um país sem memória é um país sem futuro, de como precisamos resgatar esse passado, entender quem e o que veio antes de nós para poder seguir em frente, corrigindo os erros do passado e inventando um novo futuro. É isso que o filme de Daphyne faz pela memória de Glauce Rocha, do teatro e do cinema brasileiros.

Se você mora em Campo Grande, pode ir ao Espaço Energia ver a exposição sobre Glauce Rocha e assistir ao curta Jardim de Pedra: Vida e Morte de Glauce Rocha. Ou siga o perfil @jardimdepedraofilme para descobrir as próximas exibições em outros locais.

Glauce Rocha vive não apenas nos teatros, ruas e espaços que levam seu nome, mas também na memória de quem se dispõe a redescobrir sua história e seu legado. Ao apoiar projetos como Jardim de Pedra, a Energisa reforça seu compromisso com a valorização da cultura brasileira. É por meio de ações como essa que a empresa contribui para manter viva a memória de quem ajudou a moldar nossa arte, inspirando novas gerações e conectando as comunidades ao rico patrimônio cultural brasileiro.

Uma folha de jornal com a manchete: "Glauce Rocha volta a brilhar"


Serviço:

  • Exposição sobre Glauce Rocha
  • Local: Espaço Energia (Av. Afonso Pena, 3901, Campo Grande/MS)
  • Datas: de 21 de novembro de 2024 a 14 de fevereiro de 2025
  • Horários:
    • Exposição: de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h
    • Exibições do curta Jardim de Pedra: Vida e Morte de Glauce Rocha: terças e quintas-feiras, às 10h e 13h15 (16 min de duração)
  • Entrada: gratuita
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Nova sede da Orquestra Jovem de Sergipe é inaugurada Nova sede da Orquestra Jovem de Sergipe é inaugurada

Publicada em: 03/01/2025

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Sergipe

Nova sede da Orquestra Jovem de Sergipe é inaugurada

A Orquestra Jovem de Sergipe viveu um momento marcante no dia 11 de dezembro, com a inauguração de sua sede própria no Bairro Santa Maria, consolidando uma década de trabalho dedicado à transformação social por meio da música. O espaço foi projetado para oferecer melhores condições de aprendizado para crianças e jovens de bairros como Santa Maria e 17 de março, áreas de vulnerabilidade social na capital sergipana. Desde que foi criada, em 2014, a Orquestra Jovem de Sergipe é um projeto realizado pelo Instituto Banese e Governo de Sergipe, apoiado pelo Grupo Energisa, através da Lei de Incentivo à Cultura.

A inauguração foi marcada por um emocionante concerto da Orquestra, que reuniu músicas populares, temas de filmes, canções natalinas, com a participação de músicos e intérpretes sergipanos.

Concerto de inauguração da nova sede


Para a Energisa é uma honra apoiar a Orquestra Jovem de Sergipe que há 10 anos tem mudado a realidade dessas crianças e adolescentes e impulsionado sonhos. Parabéns pelo trabalho social que vocês desenvolvem mudando a realidade de mais 600 crianças e jovens que já passaram por este projeto ao longo desses anos. Essa parceria com o Instituto Banese reafirma o nosso compromisso com a Sustentabilidade de trabalhar com e para a comunidade!”, afirma Roberto Currais, diretor-presidente da Energisa Sergipe.

O novo espaço proporciona mais liberdade e qualidade para as atividades realizadas pelos cerca de 260 jovens atendidos pelo projeto.

A sede própria reforça nossa identidade no bairro Santa Maria. Além disso, teremos mais liberdade para desempenhar nossas atividades. Sem falar na adequação acústica que nos proporcionará um salto em qualidade e aprendizado”, destacou o maestro Márcio Bonifácio durante a cerimônia

Para Hilana Alves, aluna de oboé, a inauguração representa uma nova fase.

A expectativa para essa nova sede é muito alta. Estou no projeto desde o início do naipe de sopros e esse ano está sendo muito especial. A nossa história alcançará todos os municípios de Sergipe e trará ainda mais benefícios para o projeto”, afirmou.

Uma década de transformação social

Desde 2014, a Orquestra Jovem de Sergipe tem levado a música clássica para crianças e adolescentes dos bairros Santa Maria e 17 de Março, oferecendo formação musical em instrumentos de cordas, sopros, percussão, canto coral e musicalização. O projeto não apenas desperta talentos, mas também promove valores como disciplina, trabalho em equipe e autoconfiança, abrindo portas para a profissionalização.

A trajetória da Orquestra conta com uma série de apresentações ao lado de grandes nomes da música, como Vanessa da Mata, Erasmo Carlos e João Ventura, além de concertos realizados em diversas cidades de Sergipe.

Se você tem interesse em conhecer e participar do projeto, pode entrar em contato através do perfil da orquestra no Instagram @orquestrajovemdesergipe.

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Mudanças climáticas reduzem nascimentos de tartarugas no Guaporé Mudanças climáticas reduzem nascimentos de tartarugas no Guaporé

Publicada em: 18/12/2024

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Rondônia

Número de nascimentos de quelônios no Tabuleiro do Guaporé reduz de mais de 1,4 milhão em 2023 para 349 mil em 2024

O final do ano é tradicionalmente um momento de emoção e esperança para a fauna brasileira, especialmente para as tartarugas-da-amazônia. No entanto, 2024 trouxe uma triste realidade: o número de nascimentos de tartarugas no Tabuleiro do Guaporé, o maior berçário de quelônios do Brasil, caiu drasticamente. Em 2023, mais de 1,4 milhão de filhotes nasceram, mas este ano, devido aos efeitos de mudanças climáticas e outros fatores, o número foi reduzido para apenas 349 mil nascimentos.

Este evento faz parte do Projeto Quelônios do Guaporé, uma iniciativa que envolve a Associação Comunitária Quilombola e Ecológica do Vale do Guaporé (Ecovale), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Energisa, que apoia o projeto pelo quarto ano consecutivo. Além da soltura das tartarugas, a programação inclui atividades de conscientização ambiental para as comunidades locais.

Conservação essencial para a sobrevivência da espécie

O trabalho de conservação no Tabuleiro do Guaporé tem sido crucial para a sobrevivência das tartarugas-da-amazônia. Segundo Mateus da Cruz, técnico ambiental do Ibama, as ações de preservação ajudaram a tirar a espécie da lista de extinção, colocando-a agora na categoria de vulnerabilidade. 

Apenas 1% dos filhotes que nascem conseguem alcançar a fase adulta e se reproduzir. Por isso, nosso trabalho é essencial para garantir a preservação da biodiversidade”, destacou.

Equipe trabalhando na soltura das tartarugas-da-amazônia


Impactos climáticos e desafios de 2024

Em 2024, o número de nascimentos foi muito inferior ao de anos anteriores, refletindo os impactos dos eventos climáticos extremos que afetaram a região. De acordo com o Ibama, a seca recorde, as queimadas e a cheia dos rios provocaram um efeito cascata no ciclo reprodutivo das tartarugas, resultando em um atraso significativo na desova e na redução do número de nascimentos.

José Carratte, biólogo da Energisa que acompanha o projeto, explicou o motivo dessa redução:

A fumaça dificultou a visibilidade, e as tartarugas acabaram demorando mais do que o normal para chegar às praias para desovar, o que impactou diretamente o número de filhotes nascendo”, explicou Carratte.

Além disso, a cheia dos rios é outro fator preocupante. O aumento repentino do nível das águas pode submergir os ninhos e comprometer a sobrevivência dos filhotes. 

Com a elevação rápida do nível dos rios, muitos filhotes acabam sendo afogados antes de conseguir alcançar o ambiente aquático”, completou Carratte.

José Carratte, biólogo da Energisa responsável pelo acompanhamento do Projeto Quelônios do Guaporé
José Carratte, biólogo da Energisa responsável pelo acompanhamento do Projeto Quelônios do Guaporé


Outro desafio que tem afetado a sobrevivência das tartarugas-da-amazônia é a presença de outros predadores. Como se não bastassem as condições climáticas adversas, o rio Guaporé agora abriga pirarucus, uma espécie de peixe exótica e invasora. Esses peixes gigantes se alimentam de pequenos animais, incluindo as tartaruguinhas, representando um novo risco para a população de quelônios.

Ação Conjunta para a Preservação

Apesar dos desafios, a colaboração entre Ecovale, Energisa, Ibama e as comunidades locais têm sido fundamental para minimizar os impactos e garantir que o maior número possível de filhotes tenha a chance de sobreviver. Em 15 de dezembro, uma força-tarefa formada por essas entidades conseguiu resgatar mais de 200 mil filhotes de tartarugas, que foram liberados com segurança no rio Guaporé.

Nosso trabalho é uma corrida contra o tempo. Precisamos identificar os ninhos rapidamente e resgatar os filhotes antes que a água os afogue”, afirmou Carratte.

Em 2024, os bancos de areia do rio Guaporé aumentaram devido à seca, expondo os filhotes a novos riscos e comprometendo sua sobrevivência.

Isso foi outro agravante para os filhotes que acabam de nascer. Como eles precisam levar mais tempo para cruzar o banco de areia até o rio, ficam mais expostos aos predadores, como urubus, jacarés e aves, e ao calor forte desta época do ano”, relata César Guimarães, superintendente do Ibama em Rondônia.

Parcerias para um Futuro Sustentável

A colaboração entre Ecovale, Energisa, Ibama e as comunidades locais é um exemplo de modelo de preservação ambiental. José Soares, presidente da Ecovale, destacou o papel da Energisa:

A Energisa tem sido fundamental, não só fornecendo energia solar para as bases, mas também com recursos que possibilitam a realização de atividades educativas e logísticas”, afirmou.

Esse apoio tem sido essencial para enfrentar os desafios climáticos e assegurar que o Tabuleiro do Guaporé continue sendo um local seguro para o nascimento das tartarugas-da-amazônia.

Parte da equipe do Projeto Quelônios do Guaporé


O futuro da biodiversidade amazônica

A preservação das tartarugas-da-amazônia exige esforço contínuo e colaboração. Embora a região amazônica enfrente desafios cada vez maiores devido às mudanças climáticas e à ação humana, o trabalho realizado pelas entidades envolvidas no Projeto Quelônios do Guaporé demonstra que, com união, é possível minimizar os impactos e garantir a sobrevivência das espécies locais.

O incentivo a essas iniciativas é crucial para a preservação da fauna amazônica e para o fortalecimento de uma cultura de responsabilidade ambiental. Cada tartaruga que chega ao rio é uma vitória para a biodiversidade e um passo em direção a um futuro mais sustentável.

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