Filarmônica de Itabaiana completa 280 anos e transforma a vida de crianças e jovens em Sergipe
Com 280 anos de história, a Sociedade Filarmônica Nossa Senhora da Conceição, de Itabaiana (SE), mantém-se atual: preserva um dos mais importantes acervos musicais do país, oferece formação gratuita a 330 crianças e adolescentes e segue como referência cultural no interior de Sergipe. Fundada em 1745, é a filarmônica em atividade mais antiga do Brasil.
Parte desse legado está registrada em um acervo com cerca de 4 mil partituras originais catalogadas, que ajudam a contar não apenas a trajetória da instituição, mas também a história musical da região. Ao mesmo tempo, a instituição segue olhando para o futuro ao investir na formação de novos músicos e no fortalecimento dos vínculos comunitários.
Atualmente, crianças e jovens de 7 a 18 anos participam gratuitamente de aulas de musicalização e prática instrumental. A atuação também se estende ao povoado Carrilho, onde um projeto satélite amplia o acesso à arte e transforma a música em espaço de convivência, aprendizado e descoberta. Para muitos alunos, esse contato representa o primeiro passo para novas perspectivas de vida.
“Nosso papel é garantir que essas crianças possam ser crianças, possam brincar com a música, experimentar sons e descobrir um mundo de possibilidades. A arte amplia horizontes e dá continuidade a uma tradição que faz parte da identidade de Itabaiana”, explica Luan Lima, presidente da Filarmônica.
Música que se aprende, se constrói e se compartilha
Entre os diferenciais da instituição está o laboratório de lutheria. No espaço, instrumentos de cordas são construídos, restaurados e mantidos, reduzindo custos e assegurando qualidade para os estudantes.
Sob a orientação do professor e luthier Laedson Santos Souza, os jovens aprendem desde ajustes técnicos até a confecção de seus próprios instrumentos. O processo combina técnica, disciplina e sensibilidade, valores que extrapolam o universo musical e acompanham os alunos em sua formação pessoal.
A história da Filarmônica também é marcada por trajetórias que atravessam gerações. Um dos nomes centrais é o do maestro João de Matos, regente da instituição até 1988 e referência na formação musical local. Seu legado dá nome ao Instituto de Música da casa. Ele foi sucedido por Valtenio Alves, que entrou na Filarmônica ainda criança e construiu ali sua trajetória como músico e educador.
O filho de Valtenio, Tássio Vieira, seguiu o mesmo caminho. Formado em trompa pela Universidade de Brasília, atua como músico na capital federal e leciona na Escola de Música do Distrito Federal, mantendo viva a conexão entre passado, presente e futuro da instituição.
Para Valtenio, hoje vice-presidente, o desafio é equilibrar tradição e renovação. “Manter uma filarmônica é olhar para trás sem deixar de formar o próximo trompista, a próxima violinista. A cidade inteira passa por aqui em algum momento e nosso compromisso é garantir que essa história continue soando”, resume.
Uma celebração coletiva
A comemoração dos 280 anos contou com uma semana especial de apresentações que reuniu todas as formações da casa. Bandas sinfônica e infantojuvenil, orquestras preparatória e experimental, grupos de violões, quartetos, quintetos e a grande orquestra se revezaram em concertos, sessões solenes e celebrações religiosas, reforçando o vínculo histórico da Filarmônica com a comunidade de Itabaiana.
Desde 2020, o Grupo Energisa apoia a Filarmônica de Itabaiana por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O patrocínio contribui para a realização das atividades pedagógicas, a manutenção dos instrumentos, o funcionamento do laboratório de lutheria e a ampliação do acesso à formação musical para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade, fortalecendo um projeto que une educação, cultura e impacto social no interior de Sergipe.


