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Uma aliança para reflorestar a Amazônia Uma aliança para reflorestar a Amazônia

Publicada em: 13/04/2022

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Acre

Uma aliança para reflorestar a Amazônia

No dia 13 de novembro de 2018, Moisés Pyiãko, liderança espiritual Ashaninka – povo indígena que vive na fronteira entre o Peru e o Acre – adentrou o Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e sentou–se no meio de uma plateia formada por homens e mulheres da cidade. Aconteceria ali a roda de conversa “A serpente e o DNA”, que fez parte do evento “Selvagem – Ciclo de Estudos Sobre a Vida”, mediado por Ailton Krenak. Em sua fala, Moisés proferiu uma frase que ecoou fundo naquela tarde de terça-feira:

– Eu nunca entrei numa universidade. Nunca entrei porque eu já nasci nela. Eu vivo dentro dela. Numa universidade onde eu aprendo e escuto todos os dias. Onde o silêncio é o meu professor.

Ouvir, observar, perceber. Os povos originários acreditam que a floresta fala com quem vive próximo a ela. Escuta quem tem a sabedoria de respeitá-la. Não à toa, o silêncio é o professor. Rodas de conversas como a recriada no Teatro Tom Jobim são uma prática muito tradicional das comunidades indígenas, mas engana-se quem acha que se assemelham a um bate-papo. Numa roda de conversa, não se fala o tempo todo. Numa roda de conversa, escuta-se. Indígenas de todas as idades participam das rodas. Crianças passam anos ouvindo. É colocado um tema e fala quem tem alguma experiência para compartilhar. Experiência vivida, sentida. É comum que um silêncio ocorra por 10, 15 minutos. Silêncio que diz tanto. Algumas rodas de conversa duram dias, pois o tema continua em aberto.

Grupo de pessoas conversa sobre a importância da preservação da natureza no Acre sentado em roda.
Roda de conversa “A serpente e o DNA”, Teatro Tom Jobim, 2018

E foi numa dessas rodas de conversa, iniciada em 2019, dentro da floresta, no coração do Acre, que uma preocupação latente começou a ser colocada, em diferentes momentos e em diferentes lugares: como salvar a Floresta Amazônica? Como preservar e devolver vida a terras tão desmatadas? O assunto já vinha sendo conversado por Ailton Krenak, Alice Fortes, Davi Kopenawa Yanomami, e João Fortes. A conversa foi sendo compartilhada por importantes lideranças dos povos Ashaninka e Puyanawa (como Benki e Moisés Piyãko Ashaninka e Puwe Puyanawa) e pessoas de fora da floresta (como o carioca João Fortes, que há 35 anos atua em projetos socioculturais e ambientais junto a comunidades da região, e Alice Fortes, sua filha, mestre em Antropologia e Artes visuais pela University of Bristish Columbia, no Canadá, com mais de 10 anos de trabalho com povos indígenas) e até de fora do país, a roda começou a discutir possíveis ideias de reflorestamento.

E como uma roda de conversa tem momento para começar, mas nunca para terminar, dois anos depois, em 2021, chegou ao grupo Isku Kua Yawanawá, jovem cacique da tribo Yawanawá, também do Acre. Isku Kua participa de rodas de conversa desde pequeno – muitas delas com os mesmos líderes presentes –, sempre escutando. Hoje uma liderança importante do povo Yawanawá, ele tinha algo a dizer. A presença de Isku Kua deu rumo aos anseios trazidos nos ciclos de debates e nasceu ali o projeto de reflorestamento da aldeia Nova Esperança.

Isku Kua Yawanawá, cacique da aldeia Nova Esperança, olha para a natureza.
Isku Kua Yawanawá, cacique da aldeia Nova Esperança

Promovido pela Aliança Reflorestar e Instituto Rever, com patrocínio da Energisa no valor de R$ 750 mil, o projeto promove a restauração da paisagem local por meio de plantios com técnicas agroflorestais, incluindo espécies frutíferas (como coco, ingá, graviola e limão, entre outras), e prevê o plantio de 5 mil árvores até maio deste ano, além da construção de um viveiro e de um banco de sementes, entre outras ações na aldeia.

– É uma aliança, porque foi ouvindo as ideias de cada um que fomos trabalhando – diz Puwe Puyanawa – É a primeira vez que a terra do nosso povo Puyanawa é trazida para reflorestar a terra de um outro povo indígena.

Puwe refere-se à ideia central do projeto: promover uma união e troca de saberes em prol de um bem comum. Puwe e o líder Benki Piyãko Ashaninka, do Centro YorenkaTasorentsi, também do Acre e parceiro do projeto, enviaram comitivas para trocas de experiências e para ajudar no plantio. Dos Ashaninka, o conhecimento prévio de plantio e agrofloresta; dos Puyanawa, as mudas trazidas para os Yawanawá.

– Entendemos que um projeto de reflorestamento só faria sentido se os povos da floresta fossem protagonistas, numa verdadeira aliança – explica João Fortes, diretor da Aliança Reflorestar da Amazônia. – Desta forma, o projeto vem formando indígenas dos povos Yawanawá e Puyanawa para a prática de agrofloresta, com a habilidade de poderem compartilhar esses conhecimentos com outras comunidades da floresta, indígenas e não indígenas.

A primeira etapa do trabalho foi iniciada em janeiro deste ano e, em poucos dias, foram plantadas 1.640 mudas, construído um viveiro com capacidade para mais 7.000 delas, além de uma sementeira. Baseado nos saberes tradicionais dos povos da floresta e em práticas agroflorestais – tais como o plantio combinado de árvores frutíferas, árvores de madeira de lei e árvores pioneiras (que crescem rápido e generosamente fazem sombra para as outras poderem vingar) –, o projeto fortalece a biodiversidade local e beneficia a segurança alimentar na comunidade, além de incentivar a sua perpetuação nas novas gerações.

Detalhes das mudas e viveiro.
Detalhes das mudas e viveiro

Os indígenas sabem que é germinando as ideias e as práticas nas crianças que se salva um planeta. Os pequenos, sempre incluídos no dia a dia das aldeias, pediram para ajudar. João Fortes conta que, ao ouvir esse pedido, Benki Ashaninka disse a elas para trazerem, então, as sementes das frutas de que mais gostavam. Como uma criança vai deixar faltar cupuaçu, se ela ama aquele sabor? Como um pequeno vai jogar fora as sementes de uma manga, se são elas as responsáveis por gerar novos frutos iguais àquele?

– O projeto vai além do reflorestamento. A gente trabalha o plantio das mudas e também realiza uma mobilização importante na comunidade, porque muitos locais demandam um cuidado por cerca de três anos. Então, é fundamental que o trabalho continue – ressalta Alice Fortes, co-fundadora e coordenadora executiva da Aliança Reflorestar.

Alice Fortes, coordenadora executiva Aliança Reflorestar da Amazônia; Leonilson Silva, agrofloresteiro do Centro Yorenka Tasorentsi; João Fortes, diretor de articulação da Aliança Reflorestar; Nainawa Yawanawá, mestre das plantas e medicinas da aldeia Nova Esperança; e Isku Kua Yawanawá, cacique da aldeia Nova Esperança, conversam sorrindo.
Alice Fortes, coordenadora executiva Aliança Reflorestar da Amazônia; Leonilson Silva, agrofloresteiro do Centro Yorenka Tasorentsi; João Fortes, diretor de articulação da Aliança Reflorestar; Nainawa Yawanawá, mestre das plantas e medicinas da aldeia Nova Esperança; e Isku Kua Yawanawá, cacique da aldeia Nova Esperança

A segunda etapa da ação será realizada agora em abril, com a continuação do plantio e a criação do banco de sementes. A comunidade Yawanawá também receberá treinamento em arborismo para a coleta de sementes no alto das árvores.

– O projeto é muito especial para nós, pois acontece através da junção de forças locais. Estamos cuidando daquela terra em conjunto com os que a habitam e já estão lá – explica José Adriano, Diretor presidente da Energisa Acre. – Além do cunho de preservação, ele tem um caráter educacional, de transmitir os conhecimentos para que o projeto seja perene. Ao formarmos um colchão alimentar para as comunidades que ali vivem, é um ciclo que se fecha.

Durante uma filmagem do projeto, Puwe Puyanawa revolve a terra com as mãos ao plantar uma muda e reflete: “Não sei por que as pessoas usam luva para mexer na terra. É tão melhor assim, sem nada. Igual ao tatu, que vive assim e tem uma vida tão boa… até melhor que a nossa.” Salvar a floresta é também escutar o que seus mais silenciosos professores têm a transmitir.

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Luz da dignidade Luz da dignidade

Publicada em: 24/02/2022

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Mato Grosso do Sul

Luz da dignidade

Catavento automático. Roda de vento infinito. Brisa que liga. Sopro de alívio. Talvez sejam algumas dessas (e muitas outras) as definições que passam na cabeça de uma pessoa que vê pela primeira vez um ventilador. Eletrodoméstico a princípio simples, mas que, como a palavra anuncia, depende da eletricidade para funcionar. E esse aparelho, tão popular para a maioria dos brasileiros, pôde começar a levar seu refresco a quem agora tem tomada em casa para ligar graças ao projeto Ilumina Pantanal, da Energisa, que acaba de completar sua primeira fase.

Depois de beneficiar famílias de ribeirinhos e produtores locais, o projeto – desenvolvido pela Energisa em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e Governo do Estado de Mato Grosso do Sul – chegou a comunidades indígenas incrustadas no Pantanal sul-mato-grossense que nunca tinham se deparado com alguns objetos, como o ventilador. É o caso da aldeia Uberaba, que até o ano passado, não possuía luz elétrica. Localizada no município de Corumbá, a 36 horas de barco da área urbana da cidade, a tribo passou a receber energia limpa e renovável proveniente de placas solares instaladas na região.

A chegada da eletricidade provocou grandes mudanças no cotidiano dos moradores, que agora não possuem apenas um ventilador para aplacar o calor, mas também iluminação para que cobras e aranhas possam ser encontradas à noite escondidas dentro das casas e geladeiras que ficam ligadas permanentemente para conservar os alimentos. O benefício foi rapidamente sentido pelo índio guató João de Souza, de 42 anos, que vive da pesca e foi o último cliente atendido pelo programa nessa fase.

– Antes eu gastava mais de R$ 500,00 em óleo diesel para manter o gerador ligado para armazenar os peixes, e agora não vou mais me preocupar com isso. Vou poder guardar e economizar – conta João. – Eu nunca pensei que fosse ter luz acesa em casa, fico emocionado com isso.

 

Foto colorida do índio João de Souza. Ele é pardo e aparece de máscara com a placa do cliente 2.090 ao fundo. João está com uma camisa clara e um boné marrom.
João de Souza, índio guató e o último cliente atendido nessa fase do programa

 

O programa, que teve sua etapa inicial concluída em fevereiro deste ano, tem como objetivo ampliar o acesso à energia elétrica contínua, limpa e renovável no Pantanal sul-mato-grossense. Ao todo, 2.167 unidades consumidoras foram beneficiadas pelo programa Ilumina Pantanal, sendo 77 famílias atendidas por rede de distribuição convencional, e 2.090 clientes por meio do SIGFI (Sistema Individual de Energia Elétrica com Fonte Intermitente), cuja fonte de energia é solar. O Grupo Energisa investiu R$ 134 milhões no programa, abrangendo os municípios de Corumbá, Aquidauana, Coxim, Ladário, Porto Murtinho, Rio Verde e Miranda.

 

 

Para concluir a etapa das aldeias indígenas pantaneiras, funcionários da Energisa levaram 10 horas de deslocamento de lancha para chegar à região, e os equipamentos precisaram de dois dias de viagem de barco.

– Ver o sorriso no rosto das pessoas é a maior recompensa que a gente pode receber pelo nosso esforço, pelo nosso suor. Isso faz tudo valer a pena – diz Heber Selvo, coordenador do projeto.

Cacique da Aldeia Uberaba, Osvaldo Correia da Costa foi um importante apoiador do Ilumina Pantanal, dando suporte à equipe da Energisa e fazendo a ponte entre a empresa e os moradores da comunidade indígena. Uma das maiores diferenças que sentiu ao receber eletricidade foi a sensação de segurança de toda a aldeia à noite. Acostumados a usarem lanternas para enxergar algum bicho na calada da noite, os moradores, até então, ficavam dependentes de um artigo de luxo, caro, de descarte difícil e que muitas vezes fica em falta na região: pilha.

– Agora é só levantar da cama e acender a luz – orgulha-se Osvaldo. – É uma sensação de dignidade. A gente paga o imposto igual ao homem branco, mas não tinha luz, não tinha energia. Agora vai ser bem melhor de se viver.

 

O cacique Osvaldo está um espaço aberto na aldeia com uma placa solar ao fundo. Ele usa uma camisa azul, adorno na cabeça e aparece sorrindo na foto.
Osvaldo Correia da Costa, cacique da Aldeia Uberaba

 

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Assista os painéis da COP-26 com os projetos da Energisa Assista os painéis da COP-26 com os projetos da Energisa

Publicada em: 09/11/2021

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Brasil

Assista os painéis da COP-26 com os projetos da Energisa

Ilumina Pantanal


Vila Restauração


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COP26: transição energética está a pleno vapor COP26: transição energética está a pleno vapor

Publicada em: 07/11/2021

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Brasil

COP26: transição energética está a pleno vapor

A transição para uma matriz elétrica limpa é um tema central na COP26, a Conferência do Clima da ONU, que acontece desde o dia 1⁰ até 12 de novembro em Glasgow, na Escócia. Lideranças do mundo inteiro estão reunidas para debater sobre como viabilizar uma economia de baixo carbono e financiar as energias renováveis, fundamentais para atingir as metas de descarbonização estabelecidas pelos países no Acordo de Paris. 

COP é a sigla para Conferência das Partes (Conference of the Parties, conforme o nome original). O evento é realizado anualmente desde 1995 pela UNFCCC, órgão da ONU que trata das mudanças climáticas impulsionadas por ações humanas.

A COP26 é uma das mais importantes da história. Em 2015, quando 195 países assinaram o Acordo de Paris, ficou acertado que haveria uma revisão das metas a cada cinco anos. A primeira delas acontece este ano, pois a pandemia de covid-19 adiou a realização do evento em 2020. 

Entre os pontos mais importantes debatidos em Glasgow está a regulamentação do artigo 6 do Acordo de Paris, que trata da criação de um mercado global de carbono. Esse mecanismo irá permitir que países que não emitam gases de efeito estufa vendam créditos para países que ainda precisam emitir carbono. Esse tema é de grande interesse do Brasil, pois o país tem enorme potencial de geração de créditos de carbono. 

O fim do carvão 

Na primeira semana do evento, 77 países se comprometeram a eliminar gradativamente o uso do carvão para gerar energia. Esse é o combustível fóssil mais poluidor. Mais de 20 países fizeram novos compromissos para eliminar a energia do carvão, incluindo Indonésia, Vietnã, Polônia, Coréia do Sul, Egito, Espanha, Nepal, Cingapura, Chile e Ucrânia. As nações também se comprometem a aumentar a energia limpa. 

"Hoje acho que posso dizer que o fim da era do carvão está à vista", disse Alok Sharma, presidente da COP26, em discurso na abertura do evento. 

O setor privado tem um papel importante nesses esforços de descarbonização. A transição para uma matriz elétrica limpa irá custar trilhões de dólares, de acordo com estimativas da própria ONU. 

A participação empresarial nessa COP é recorde. Um exemplo disso é a formação da Aliança Financeira de Emissões Zero de Glasgow, um grupo que inclui todos os grandes bancos ocidentais, seguradoras e administradores de ativos. O grupo anunciou que empresas responsáveis pela administração de 130 trilhões de dólares de capital, o equivalente a 40% dos ativos financeiros do mundo, comprometeram-se a assumir uma "parcela justa" da descarbonização. 

O Brasil é uma voz importante no debate sobre transição energética por ser um dos poucos países que possuem uma matriz elétrica predominantemente limpa. Isso se deve, principalmente, às hidrelétricas. Na última década, também houve grande avanço dos setores de energia eólica e solar. O que se diz, nos corredores da COP, é que muitos países desenvolvidos ainda precisarão investir muito para chegar ao patamar brasileiro.

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