900 famílias ribeirinhas e quilombolas recebem energia solar do Mais Luz para a Amazônia
Um total de 900 famílias ribeirinhas e quilombolas de Rondônia têm eletricidade em casa após a instalação de sistema de geração de energia por meio de placas solares. O trabalho que faz parte do programa Mais Luz para a Amazônia foi concluído com um mês de antecedência pela Energisa. A iniciativa contou com investimento de R$ 34 milhões no estado.
Para o diretor-presidente da concessionária, André Theobald, a conclusão antecipada do projeto é prova do compromisso que a empresa tem com a comunidade, proporcionando desenvolvimento e conforto por meio da energia elétrica. - Percorremos centenas de quilômetros de carro e de barco impulsionados pela vontade de transformar vidas. Desde o Baixo Madeira até o Guaporé, a energia está chegando por meio da tecnologia dos painéis solares, uma solução mais limpa e sustentável -, afirma.
Antes da chegada do Mais Luz Para a Amazônia, essas famílias não tinham acesso à eletricidade ou dependiam de geradores movidos a óleo diesel para ter energia elétrica por apenas duas horas por dia e que tinham que ser transportados de barco pelos moradores até as comunidades. Essa foi a realidade da dona de casa Raimunda Nazaré Santiago, da comunidade de Demarcação, em Porto Velho, durante 30 anos.
- Todos esses anos nós usamos motor para ter luz, por poucas horas, e era muito caro o combustível. Com a energia nova, melhorou muito. Agora posso usar o ventilador de dia também -, declara.
O Mais Luz para a Amazônia é um programa do Governo Federal e do Ministério de Minas e Energia. Ele começou a ser executado pela Energisa em 2022 beneficiando centenas de famílias em Rondônia. Para 2023, a expectativa é que o programa continue sendo desenvolvido no estado.
Energisa estabelece metas de sustentabilidade até 2050
Um ano de trabalho. Este foi o tempo que a Energisa levou para desenhar os compromissos e metas de desenvolvimento sustentável que acaba de apresentar ao mercado e a seus colaboradores. Muitas das ações já estão em andamento, como o projeto de descarbonização, com a desativação de 20 termoelétricas até 2025, mas o período mais longo do que a prática usual da empresa para maturação das metas foi necessário para garantir que a sustentabilidade fosse reconhecida de fato como um eixo central do negócio, discutido com diversas áreas do Grupo, incluindo o Conselho de Administração.
Para marcar a validação dos compromissos e dar aos colaboradores a dimensão correta da relevância do assunto, a Energisa convidou um aliado de peso da causa do desenvolvimento sustentável: o professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Sérgio Besserman. Ele participou de um fórum interno sobre “O papel das empresas na construção da sustentabilidade e da economia de baixo carbono”. O evento online contou com a participação da Vice-Presidente de Gente, Gestão e Sustentabilidade da Energisa, Daniele Salomão; da diretora de gestão e sustentabilidade, Tatiana Feliciano; da Coordenadora de Gestão da Sustentabilidade da empresa, Michele de Almeida; da Coordenadora de Investimento Social, Delânia Cavalcante. Teve ainda participação relevante das lideranças da empresa em um debate.
– Nos próximos 30 anos, vamos fazer escolhas mais importantes do que em todo o século XX – enfatizou Besserman.
Coube ao time da Energisa apresentar os 5 compromissos ESG e suas respectivas metas, agora validadas pelo Conselho de Administração da Empresa. A Vice-Presidente explicou que os compromissos ESG da Energisa foram pautados pelos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Segundo ela, a discussão fez parte do Planejamento Estratégico da empresa.
– As metas são até 2050. Por isso, não poderiam ser um compromisso somente da gestão atual da Energisa, mas um compromisso do Conselho. Houve todo o apoio do CEO e do diretor de estratégia, Lucas Pinz, inserindo esta etapa de definição ao processo de Planejamento Estratégico da empresa – afirmou Daniele.
As metas são futuras, mas a Energisa já realiza diversos projetos na direção de seu cumprimento. Em resposta a um colaborador, Tatiana Feliciano, diretora de gestão e sustentabilidade, detalhou algumas iniciativas:
– No pilar ambiental, podemos citar o projeto que está reflorestando uma área de 3 hectares, na aldeia indígena Nova Esperança, no Acre. Foram plantadas mais de 5 mil mudas de arvores nativas e frutíferas, além da construção de um viveiro e um banco de sementes que permitirá a continuidade da ação pelos próprios indígenas. Além disso, foram realizadas atividades de capacitação em práticas agroflorestais e em arborismo para conseguirem selecionar as melhores sementes. Uma iniciativa que pode ser potencializada pelo Fundo Floresta Viva, que a Energisa aderiu e sinaliza para outros projetos semelhantes no futuro.
Na mensagem final do evento, Sérgio Besserman reforçou a singularidade do momento que a humanidade vive:
– Trata-se do fim da civilização (movida a combustível) fóssil, e o nascimento de outro mundo sustentável. A Energisa está na fronteira desta mudança! – disse, referindo-se aos projetos citados pelos participantes do fórum.
Veja abaixo os destaques da fala de Sérgio Besserman sobre a relevância dos Compromissos nesse momento:
Confira a seguir um resumo dos 5 grandes objetivos e algumas das metas de sustentabilidade da Energisa:
Viabilizar a inserção de fontes renováveis no Brasil com sustentabilidade, segurança energética e confiabilidade na matriz.
Até 2026, ter energia limpa e acessível a mais de 55 mil unidades consumidoras em áreas remotas da concessão
Promover o descomissionamento de 171 MW por meio da desativação de usinas termelétricas, permitindo ampliar intercâmbio energético entre regiões e garantindo segurança energética
Alcançar 600MW de potência instalada em energia renovável.
Ajudar nossos clientes na transição energética ofertando soluções alinhadas aos 4 Ds - Descarbonização, Digitalização, Descentralização e Diversificação.
A partir de 2026, ofertar produtos e soluções para a transição energética contribuindo para a emissão evitada de pelo menos 122,6 mil toneladas de CO₂ ao ano dos nossos clientes, o equivalente ao plantio de 3,6 milhões de árvores todo ano.
Mitigar impactos do negócio da Energisa com olhar sistêmico para a cadeia produtiva, uso consciente de energia, água, resíduos e redução de emissões.
Alcançar a neutralidade nas emissões de carbono até 2050.
Promover maior igualdade de oportunidades à democratização do conhecimento em educação empreendedora e do fomento de ações para geração de renda nas nossas concessões.
Até 2026, ser percebida como empresa inclusiva por nossos colaboradores.
Até 2026, promover a empregabilidade de cerca de 70% do público capacitado em nossos programas de formação continuada nas comunidades.
Aproximar-se da sociedade, por meio de ações culturais e das manifestações dos valores regionais, em áreas que a empresa atua.
Incentivar a produção cultural e a preservação da memória nas nossas concessões, impulsionando a economia criativa.
Mobilizar projetos e parcerias para contribuir para o desenvolvimento sustentável dos nossos biomas mais frágeis.
Energisa adere ao Amazônia + 21 e reforça seu compromisso com o desenvolvimento de Rondônia
A Energisa em Rondônia formalizou sua adesão ao Instituto Amazônia + 21, que é uma iniciativa criada com apoio da Federação das Indústrias de Rondônia (Fiero) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para promover negócios sustentáveis na Amazônia, conectar grandes empresas com empreendedores locais e articular projetos de inovação no Norte do país.
A assinatura de adesão ao instituto foi feita no início deste mês pelo presidente da concessionária, André Theobald, e reflete mais uma iniciativa da Energisa em prol do desenvolvimento do estado. “Investimos na transformação da infraestrutura elétrica de Rondônia preparando o estado para o futuro, afinal, o acesso a uma energia abundante e de qualidade atrai empresas, movimenta a economia, gera empregos e renda. Estamos juntos do Instituto para trabalharmos em negócios inovadores em prol do desenvolvimento econômico e social da região”, declara.
A sustentabilidade também está presente como balizadora das ações da concessionária. Desde 2019, o Grupo Energisa desenvolve o maior programa de descarbonização do país, desativando termelétricas a óleo diesel e evitando a emissão de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Rondônia é líder dessa iniciativa já tendo 12 termelétricas desativadas.
Programa de descarbonização da Energisa evita emissão de 214 mil toneladas de CO₂ em Rondônia
O Grupo Energisa realiza o maior programa de descarbonização do país que vai desativar 19 termelétricas até 2025. Rondônia é líder dessa iniciativa com 13 térmicas a serem desligadas. Destas, 12 já foram desativadas desde 2019, incluindo a maior delas, localizada no município de Buritis, e que consumia sozinha 24 milhões de litros de óleo diesel por ano.
Em Rondônia, o programa representa o fim da emissão na atmosfera de cerca de 214 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂). Tudo isso porque no lugar das termelétricas movidas a óleo diesel entram em operação 25 novas subestações e mais de mil quilômetros de redes de alta tensão que integram regiões ao Sistema Interligado Nacional (SIN), garantindo a segurança energética, a melhoria da estabilidade da rede e a ampliação da energia fornecida, atraindo novas empresas que fomentam a economia local.
Foto 1: Antes
Foto 2: Depois
O investimento da empresa no programa de descarbonização no país é de R$ 1,2 bilhão. Deste valor, R$ 699 milhões representam o investimento no estado de Rondônia.
Segundo o diretor presidente da Energisa em Rondônia, André Theobald, a iniciativa está alicerçada nas diretrizes ESG (sigla que em português significa governança ambiental, social e corporativa). “A empresa tem um compromisso real com o futuro e com o desenvolvimento das comunidades onde está inserida, por isso, é importante para nós que a energia que distribuímos até os lares dos nossos clientes seja de fonte renovável. Substituir termelétricas por subestações é um passo crucial na transição energética que garante energia limpa e de qualidade, ao mesmo tempo em que reduz a emissão de gases poluentes”, explica.
O biólogo e supervisor de Meio Ambiente da empresa, José Meireles Carrate, complementa que o excesso nas emissões de CO2 intensifica o efeito estufa no planeta, alterando o clima com a elevação das temperaturas. “Reduzir as emissões de dióxido de carbono é fundamental. As energizações das subestações são ações concretas que proporcionam desenvolvimento de forma sustentável”, afirma.
A Energisa se prepara para a desativação, no segundo semestre deste ano, da última termelétrica inserida no programa, localizada no distrito de Pacaranã, em Espigão do Oeste. A térmica, que consumia 730 mil litros de óleo diesel por ano dará lugar a uma subestação com capacidade para atender 12 mil casas populares.
Confira o relato de Carlos Alberto, morador de Alvorada do Oeste, primeiro município de Rondônia beneficiado pelo programa:
No dia 13 de novembro de 2018, Moisés Pyiãko, liderança espiritual Ashaninka – povo indígena que vive na fronteira entre o Peru e o Acre – adentrou o Teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, e sentou–se no meio de uma plateia formada por homens e mulheres da cidade. Aconteceria ali a roda de conversa “A serpente e o DNA”, que fez parte do evento “Selvagem – Ciclo de Estudos Sobre a Vida”, mediado por Ailton Krenak. Em sua fala, Moisés proferiu uma frase que ecoou fundo naquela tarde de terça-feira:
– Eu nunca entrei numa universidade. Nunca entrei porque eu já nasci nela. Eu vivo dentro dela. Numa universidade onde eu aprendo e escuto todos os dias. Onde o silêncio é o meu professor.
Ouvir, observar, perceber. Os povos originários acreditam que a floresta fala com quem vive próximo a ela. Escuta quem tem a sabedoria de respeitá-la. Não à toa, o silêncio é o professor. Rodas de conversas como a recriada no Teatro Tom Jobim são uma prática muito tradicional das comunidades indígenas, mas engana-se quem acha que se assemelham a um bate-papo. Numa roda de conversa, não se fala o tempo todo. Numa roda de conversa, escuta-se. Indígenas de todas as idades participam das rodas. Crianças passam anos ouvindo. É colocado um tema e fala quem tem alguma experiência para compartilhar. Experiência vivida, sentida. É comum que um silêncio ocorra por 10, 15 minutos. Silêncio que diz tanto. Algumas rodas de conversa duram dias, pois o tema continua em aberto.
Roda de conversa “A serpente e o DNA”, Teatro Tom Jobim, 2018
E foi numa dessas rodas de conversa, iniciada em 2019, dentro da floresta, no coração do Acre, que uma preocupação latente começou a ser colocada, em diferentes momentos e em diferentes lugares: como salvar a Floresta Amazônica? Como preservar e devolver vida a terras tão desmatadas? O assunto já vinha sendo conversado por Ailton Krenak, Alice Fortes, Davi Kopenawa Yanomami, e João Fortes. A conversa foi sendo compartilhada por importantes lideranças dos povos Ashaninka e Puyanawa (como Benki e Moisés Piyãko Ashaninka e Puwe Puyanawa) e pessoas de fora da floresta (como o carioca João Fortes, que há 35 anos atua em projetos socioculturais e ambientais junto a comunidades da região, e Alice Fortes, sua filha, mestre em Antropologia e Artes visuais pela University of Bristish Columbia, no Canadá, com mais de 10 anos de trabalho com povos indígenas) e até de fora do país, a roda começou a discutir possíveis ideias de reflorestamento.
E como uma roda de conversa tem momento para começar, mas nunca para terminar, dois anos depois, em 2021, chegou ao grupo Isku Kua Yawanawá, jovem cacique da tribo Yawanawá, também do Acre. Isku Kua participa de rodas de conversa desde pequeno – muitas delas com os mesmos líderes presentes –, sempre escutando. Hoje uma liderança importante do povo Yawanawá, ele tinha algo a dizer. A presença de Isku Kua deu rumo aos anseios trazidos nos ciclos de debates e nasceu ali o projeto de reflorestamento da aldeia Nova Esperança.
Isku Kua Yawanawá, cacique da aldeia Nova Esperança
Promovido pela Aliança Reflorestar e Instituto Rever, com patrocínio da Energisa no valor de R$ 750 mil, o projeto promove a restauração da paisagem local por meio de plantios com técnicas agroflorestais, incluindo espécies frutíferas (como coco, ingá, graviola e limão, entre outras), e prevê o plantio de 5 mil árvores até maio deste ano, além da construção de um viveiro e de um banco de sementes, entre outras ações na aldeia.
– É uma aliança, porque foi ouvindo as ideias de cada um que fomos trabalhando – diz Puwe Puyanawa – É a primeira vez que a terra do nosso povo Puyanawa é trazida para reflorestar a terra de um outro povo indígena.
Puwe refere-se à ideia central do projeto: promover uma união e troca de saberes em prol de um bem comum. Puwe e o líder Benki Piyãko Ashaninka, do Centro YorenkaTasorentsi, também do Acre e parceiro do projeto, enviaram comitivas para trocas de experiências e para ajudar no plantio. Dos Ashaninka, o conhecimento prévio de plantio e agrofloresta; dos Puyanawa, as mudas trazidas para os Yawanawá.
– Entendemos que um projeto de reflorestamento só faria sentido se os povos da floresta fossem protagonistas, numa verdadeira aliança – explica João Fortes, diretor da Aliança Reflorestar da Amazônia. – Desta forma, o projeto vem formando indígenas dos povos Yawanawá e Puyanawa para a prática de agrofloresta, com a habilidade de poderem compartilhar esses conhecimentos com outras comunidades da floresta, indígenas e não indígenas.
A primeira etapa do trabalho foi iniciada em janeiro deste ano e, em poucos dias, foram plantadas 1.640 mudas, construído um viveiro com capacidade para mais 7.000 delas, além de uma sementeira. Baseado nos saberes tradicionais dos povos da floresta e em práticas agroflorestais – tais como o plantio combinado de árvores frutíferas, árvores de madeira de lei e árvores pioneiras (que crescem rápido e generosamente fazem sombra para as outras poderem vingar) –, o projeto fortalece a biodiversidade local e beneficia a segurança alimentar na comunidade, além de incentivar a sua perpetuação nas novas gerações.
Detalhes das mudas e viveiro
Os indígenas sabem que é germinando as ideias e as práticas nas crianças que se salva um planeta. Os pequenos, sempre incluídos no dia a dia das aldeias, pediram para ajudar. João Fortes conta que, ao ouvir esse pedido, Benki Ashaninka disse a elas para trazerem, então, as sementes das frutas de que mais gostavam. Como uma criança vai deixar faltar cupuaçu, se ela ama aquele sabor? Como um pequeno vai jogar fora as sementes de uma manga, se são elas as responsáveis por gerar novos frutos iguais àquele?
– O projeto vai além do reflorestamento. A gente trabalha o plantio das mudas e também realiza uma mobilização importante na comunidade, porque muitos locais demandam um cuidado por cerca de três anos. Então, é fundamental que o trabalho continue – ressalta Alice Fortes, co-fundadora e coordenadora executiva da Aliança Reflorestar.
Alice Fortes, coordenadora executiva Aliança Reflorestar da Amazônia; Leonilson Silva, agrofloresteiro do Centro Yorenka Tasorentsi; João Fortes, diretor de articulação da Aliança Reflorestar; Nainawa Yawanawá, mestre das plantas e medicinas da aldeia Nova Esperança; e Isku Kua Yawanawá, cacique da aldeia Nova Esperança
A segunda etapa da ação será realizada agora em abril, com a continuação do plantio e a criação do banco de sementes. A comunidade Yawanawá também receberá treinamento em arborismo para a coleta de sementes no alto das árvores.
– O projeto é muito especial para nós, pois acontece através da junção de forças locais. Estamos cuidando daquela terra em conjunto com os que a habitam e já estão lá – explica José Adriano, Diretor presidente da Energisa Acre. – Além do cunho de preservação, ele tem um caráter educacional, de transmitir os conhecimentos para que o projeto seja perene. Ao formarmos um colchão alimentar para as comunidades que ali vivem, é um ciclo que se fecha.
Durante uma filmagem do projeto, Puwe Puyanawa revolve a terra com as mãos ao plantar uma muda e reflete: “Não sei por que as pessoas usam luva para mexer na terra. É tão melhor assim, sem nada. Igual ao tatu, que vive assim e tem uma vida tão boa… até melhor que a nossa.” Salvar a floresta é também escutar o que seus mais silenciosos professores têm a transmitir.
Catavento automático. Roda de vento infinito. Brisa que liga. Sopro de alívio. Talvez sejam algumas dessas (e muitas outras) as definições que passam na cabeça de uma pessoa que vê pela primeira vez um ventilador. Eletrodoméstico a princípio simples, mas que, como a palavra anuncia, depende da eletricidade para funcionar. E esse aparelho, tão popular para a maioria dos brasileiros, pôde começar a levar seu refresco a quem agora tem tomada em casa para ligar graças ao projeto Ilumina Pantanal, da Energisa, que acaba de completar sua primeira fase.
Depois de beneficiar famílias de ribeirinhos e produtores locais, o projeto – desenvolvido pela Energisa em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e Governo do Estado de Mato Grosso do Sul – chegou a comunidades indígenas incrustadas no Pantanal sul-mato-grossense que nunca tinham se deparado com alguns objetos, como o ventilador. É o caso da aldeia Uberaba, que até o ano passado, não possuía luz elétrica. Localizada no município de Corumbá, a 36 horas de barco da área urbana da cidade, a tribo passou a receber energia limpa e renovável proveniente de placas solares instaladas na região.
A chegada da eletricidade provocou grandes mudanças no cotidiano dos moradores, que agora não possuem apenas um ventilador para aplacar o calor, mas também iluminação para que cobras e aranhas possam ser encontradas à noite escondidas dentro das casas e geladeiras que ficam ligadas permanentemente para conservar os alimentos. O benefício foi rapidamente sentido pelo índio guató João de Souza, de 42 anos, que vive da pesca e foi o último cliente atendido pelo programa nessa fase.
– Antes eu gastava mais de R$ 500,00 em óleo diesel para manter o gerador ligado para armazenar os peixes, e agora não vou mais me preocupar com isso. Vou poder guardar e economizar – conta João. – Eu nunca pensei que fosse ter luz acesa em casa, fico emocionado com isso.
João de Souza, índio guató e o último cliente atendido nessa fase do programa
O programa, que teve sua etapa inicial concluída em fevereiro deste ano, tem como objetivo ampliar o acesso à energia elétrica contínua, limpa e renovável no Pantanal sul-mato-grossense. Ao todo, 2.167 unidades consumidoras foram beneficiadas pelo programa Ilumina Pantanal, sendo 77 famílias atendidas por rede de distribuição convencional, e 2.090 clientes por meio do SIGFI (Sistema Individual de Energia Elétrica com Fonte Intermitente), cuja fonte de energia é solar. O Grupo Energisa investiu R$ 134 milhões no programa, abrangendo os municípios de Corumbá, Aquidauana, Coxim, Ladário, Porto Murtinho, Rio Verde e Miranda.
Para concluir a etapa das aldeias indígenas pantaneiras, funcionários da Energisa levaram 10 horas de deslocamento de lancha para chegar à região, e os equipamentos precisaram de dois dias de viagem de barco.
– Ver o sorriso no rosto das pessoas é a maior recompensa que a gente pode receber pelo nosso esforço, pelo nosso suor. Isso faz tudo valer a pena – diz Heber Selvo, coordenador do projeto.
Cacique da Aldeia Uberaba, Osvaldo Correia da Costa foi um importante apoiador do Ilumina Pantanal, dando suporte à equipe da Energisa e fazendo a ponte entre a empresa e os moradores da comunidade indígena. Uma das maiores diferenças que sentiu ao receber eletricidade foi a sensação de segurança de toda a aldeia à noite. Acostumados a usarem lanternas para enxergar algum bicho na calada da noite, os moradores, até então, ficavam dependentes de um artigo de luxo, caro, de descarte difícil e que muitas vezes fica em falta na região: pilha.
– Agora é só levantar da cama e acender a luz – orgulha-se Osvaldo. – É uma sensação de dignidade. A gente paga o imposto igual ao homem branco, mas não tinha luz, não tinha energia. Agora vai ser bem melhor de se viver.
Osvaldo Correia da Costa, cacique da Aldeia Uberaba
A transição para uma matriz elétrica limpa é um tema central na COP26, a Conferência do Clima da ONU, que acontece desde o dia 1⁰ até 12 de novembro em Glasgow, na Escócia. Lideranças do mundo inteiro estão reunidas para debater sobre como viabilizar uma economia de baixo carbono e financiar as energias renováveis, fundamentais para atingir as metas de descarbonização estabelecidas pelos países no Acordo de Paris.
COP é a sigla para Conferência das Partes (Conference of the Parties, conforme o nome original). O evento é realizado anualmente desde 1995 pela UNFCCC, órgão da ONU que trata das mudanças climáticas impulsionadas por ações humanas.
A COP26 é uma das mais importantes da história. Em 2015, quando 195 países assinaram o Acordo de Paris, ficou acertado que haveria uma revisão das metas a cada cinco anos. A primeira delas acontece este ano, pois a pandemia de covid-19 adiou a realização do evento em 2020.
Entre os pontos mais importantes debatidos em Glasgow está a regulamentação do artigo 6 do Acordo de Paris, que trata da criação de um mercado global de carbono. Esse mecanismo irá permitir que países que não emitam gases de efeito estufa vendam créditos para países que ainda precisam emitir carbono. Esse tema é de grande interesse do Brasil, pois o país tem enorme potencial de geração de créditos de carbono.
O fim do carvão
Na primeira semana do evento, 77 países se comprometeram a eliminar gradativamente o uso do carvão para gerar energia. Esse é o combustível fóssil mais poluidor. Mais de 20 países fizeram novos compromissos para eliminar a energia do carvão, incluindo Indonésia, Vietnã, Polônia, Coréia do Sul, Egito, Espanha, Nepal, Cingapura, Chile e Ucrânia. As nações também se comprometem a aumentar a energia limpa.
"Hoje acho que posso dizer que o fim da era do carvão está à vista", disse Alok Sharma, presidente da COP26, em discurso na abertura do evento.
O setor privado tem um papel importante nesses esforços de descarbonização. A transição para uma matriz elétrica limpa irá custar trilhões de dólares, de acordo com estimativas da própria ONU.
A participação empresarial nessa COP é recorde. Um exemplo disso é a formação da Aliança Financeira de Emissões Zero de Glasgow, um grupo que inclui todos os grandes bancos ocidentais, seguradoras e administradores de ativos. O grupo anunciou que empresas responsáveis pela administração de 130 trilhões de dólares de capital, o equivalente a 40% dos ativos financeiros do mundo, comprometeram-se a assumir uma "parcela justa" da descarbonização.
O Brasil é uma voz importante no debate sobre transição energética por ser um dos poucos países que possuem uma matriz elétrica predominantemente limpa. Isso se deve, principalmente, às hidrelétricas. Na última década, também houve grande avanço dos setores de energia eólica e solar. O que se diz, nos corredores da COP, é que muitos países desenvolvidos ainda precisarão investir muito para chegar ao patamar brasileiro.
Carta assinada por grandes empresas defende agenda verde
Presidentes de 105 grandes empresas nacionais e estrangeiras e de dez entidades setoriais assinaram uma carta defendendo objetivos climáticos ambiciosos e o protagonismo do País nas negociações do clima. O documento será apresentado ao governo brasileiro e levado para a conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, a COP26, marcada para novembro, em Glasgow, na Escócia.
Chamada de “Empresários pelo Clima”, a iniciativa é liderada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e teve a adesão dos maiores grupos empresariais brasileiros, 46 deles de capital aberto, que representam R$ 1 trilhão em faturamento.
“Objetivos climáticos ambiciosos correspondem à nossa convicção de que o Brasil deve buscar o protagonismo nas negociações de clima. Esse é o papel compatível com a nossa tradição de integridade climática”, afirma um trecho da carta. “O Brasil deve manter a sua centralidade nesse diálogo, sob pena do enorme prejuízo ao setor produtivo e à sociedade brasileira", diz um trecho da carta.
Baixo carbono
No documento, empresários defendem medidas para uma economia de baixo carbono e assumem responsabilidades. Eles lideram empresas que adotam medidas para redução e compensação das emissões de gases causadores do efeito estufa (GEE), precificação interna de carbono, descarbonização das operações. Os executivos pedem um arcabouço político-regulatório que apoie essa trajetória, com “ações eficazes para o fim do desmatamento ilegal e a conservação do meio ambiente”.
A Energisa é uma das signatárias da carta. A concessionária lidera, atualmente, o maior programa de desligamento de usinas termelétricas do país. No total, serão investidos R$ 1,2 bilhão para retirar 169 megawatts de capacidade proveniente de usinas a diesel, que são mais poluentes e mais caras do que as fontes renováveis. A previsão é de que o programa gere uma economia de R$ 665 milhões por ano e evite a emissão de mais de 500 mil toneladas de carbono.
Até 2025, serão desligadas 19 termelétricas a diesel, todas em operação na região Amazônica. Cerca de 400 mil pessoas, de 16 municípios, serão diretamente beneficiadas pela medida. Ganha também o Brasil, já que os efeitos das emissões de GEE refletem em todo o planeta.
Com apoio da Energisa, projeto Verde Novo irá plantar 100 mil árvores em Cuiabá
Cuiabá vai ganhar uma nova ajuda no aumento dos índices de arborização da cidade. Recentemente, foi anunciada a renovação da parceria entre a Energisa e o Poder Judiciário de Mato Grosso no projeto Verde Novo.
A Energisa apoia o Verde Novo desde 2019. Desde o início do projeto, que entra no seu quarto ano, aconteceram 424 ações. No total, 108.524 mudas de árvores foram plantadas e distribuídas. A vegetação tem o papel de ornamentar a cidade, mas também ajuda a regular a temperatura e a umidade do ar. Entre as espécies estão algumas frutíferas, como amoreiras, cajueiros e pitangueiras, além de arbóreas. Entre alas, o jacarandá, ipê roxo, ipê rosa, oiti e ipê branco.
Além de fazer parte das ações do projeto, a distribuidora de energia de Mato Grosso tem contribuído na divulgação do plantio correto das árvores. Com isso, os moradores da capital têm acesso a informações sobre as melhores espécies para serem cultivadas na área urbana, levando-se em consideração os cuidados necessários quanto ao tipo de muda e o seu desenvolvimento nas áreas próximas às redes de distribuição de energia. Essa é mais uma das ações da Energisa junto às comunidades onde atua.
O Verde novo é idealizado e coordenado pelo Juizado Volante Ambiental de Cuiabá (Juvam) e conta com a cooperação do Município de Cuiabá, do Instituto Ação Verde e de parceiros da iniciativa privada, como a Energisa. Por conta da pandemia, o projeto tem adotado o delivery para entregar as mudas à população da capital.