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A energia da cultura acelera a economia brasileira A energia da cultura acelera a economia brasileira

Publicada em: 26/09/2023

 Categoria:

 Sustentabilidade

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A energia da cultura acelera a economia brasileira

Criatividade, empreendedorismo, originalidade. Em tempos de inteligência artificial, esses são atributos que se mostram necessários para a preservação da singularidade humana em um futuro cada vez mais tecnológico. Aptidões de talentosos profissionais que inventam a indústria cultural e dão vida à economia criativa. O setor cultural e criativo emprega mais de 7 milhões de trabalhadores no país e possui uma participação na economia maior do que muitos setores tradicionais, como a indústria automotiva, desempenhando assim um papel significativo no cenário socioeconômico do país.

A Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho (FOJB), que tem o Grupo Energisa por mantenedor, impulsiona a cultura brasileira há 35 anos, ao estimular e revelar a diversidade criativa do país. Os espaços culturais geridos pela FOJB contam com salas multiuso, cineteatros, galerias de arte e ambientes externos, que possibilitam a realização de feiras criativas e sustentáveis. Em 2022, o Grupo destinou R$ 20 milhões para iniciativas de impacto social nas frentes de educação, cultura, esporte, entre outras ações de geração de renda. 

Mesmo com um cenário difícil, durante e após a pandemia, a FOJB conseguiu se reinventar, ao manter atividades, ampliar projetos, parcerias e diversificar o portfólio, além de se adaptar à penetração digital crescente na cultura. Em 2022, a Fundação beneficiou pelo menos 120 mil pessoas e investiu R$ 5,2 milhões na manutenção e programação de seus espaços culturais. Foram gerados mais de 1.300 empregos (diretos e indiretos) em mais de 360 iniciativas e ações culturais realizadas ao longo do ano.

Confira a seguir alguns destaques da programação de 2022:

Cataguases/MG

Em 2022, a cidade de Cataguases passou a contar com a sua própria feira literária. Com curadoria da escritora Anna Claudia Ramos e da jornalista Verônica Lessa, a 1a edição da FLICA (Festa Literária de Cataguases) contou com a presença de 26 escritores, entre artistas locais e convidados. Alguns dos nomes que participaram da programação são: Marilda Castanha (Belo Horizonte – MG), Nélson Cruz (Belo Horizonte – MG), Anielizabeth (Rio de Janeiro – RJ), Ruben Filho (Belo Horizonte – MG), Eliza Moreno (Rio de Janeiro – RJ) e José Mauro Brant (Rio de Janeiro – RJ). A FLICA ainda percorreu mais de 30 escolas municipais com ações de incentivo à leitura.

Cataguases também abriga o moderno Centro Cultural Humberto Mauro (CCHM), inaugurado em 2002 nas instalações do antigo Cine Machado. O espaço abriga a galeria de arte Zequinha Mauro e o Cineteatro Paulo Cesar, onde foi apresentada uma sessão especial de exibição do filme “Predestinado: Arigó e o Espírito do Dr. Fritz”, uma produção do Polo Audiovisual da Zona da Mata Mineira, parceiro da FOJB e patrocinado pela Energisa. O ator Danton Mello, que encarna no filme o médium José Arigó, esteve presente na sessão e falou sobre a  construção do filme, do personagem e a oportunidade de filmar nas localidades regionais:

– Como bom mineiro, cresci ouvindo histórias de Arigó e Dr. Fritz; parentes contando, família. Fiquei muito feliz quando chegou este roteiro para mim. Foi um personagem desafiador, mas foi prazeroso, pois foi muito bem recebido. O filme conta a história de um homem iluminado; merece mesmo ser contada. Foram escolhidas as cidades de Cataguases e Rio Novo, com cenários daquela época [anos 50 e 60]. Ficamos mais de 30 dias aqui. A grande mensagem do filme é a fraternidade, um filme de amor, de tolerância – contou o ator, natural de Passos/MG, em entrevista para o canal CinePOP.

O evento também contou com a participação de Eduardo Alves Mantovani, diretor-presidente da Energisa Minas Rio e Presidente da FOJB. Em sua fala, ele destaca os resultados positivos dos investimentos realizados pelo Grupo no audiovisual e nas demais linguagens culturais:

– Fico orgulhoso de Cataguases, o berço do cinema, viver mais esta etapa. O cinema nacional não pode morrer, pelo contrário, temos que revigorar este tipo de arte. Estamos muito felizes, pois o filme começou a ser exibido em 650 salas e já foi assistido por mais 250 mil pessoas, fato marcante. Foi o maior investimento da Energisa na área cinematográfica nacional, e estamos vendo o resultado sendo transformado numa realidade em benefício da cultura e da arte brasileira.

Nova Friburgo/RJ

Na Usina Cultural Energisa Nova Friburgo, no norte fluminense, o destaque fica por conta dos projetos Resistência Artística e Ocupa Usina.

O Ocupa Usina promoveu um total de 29 ações ao longo do ano, entre mostras artísticas, oficinas, shows e exibição de filmes. O cinema teve destaque, com a realização de oficinas de formação cinematográfica com profissionais de diferentes estilos e olhares, além de um encerramento shows e a apresentação de microfilmes produzidos localmente durante o projeto.

Já o Projeto Resistência Artística realizou uma temporada de intervenções artísticas, trazendo artistas de diversos estilos e colocando em pauta as diferenças e semelhanças entre o movimento de arte urbana contemporâneo e a Semana de 1922. Além disso, a temporada proporcionou bolsas de auxílio para dez jovens artistas como forma de incentivo. Ao todo, a iniciativa levou mais de 20 mil pessoas à Usina, firmando-se como importante canal de formação cultural na cidade de Nova Friburgo.

Projeto Resistência Artística
Projeto Resistência Artística

João Pessoa/PB

Em João Pessoa, a Usina Cultural Energisa comemorou seus 20 anos de presença cultural marcante na região nordeste do país. 

O edital do Projeto de Ocupação Usina de Artes Visuais selecionou 14 artistas paraibanos para integrar exposições individuais e coletivas na galeria de artes da Usina Cultural, com o objetivo promover a economia criativa e valorizar a regionalidade da sua produção artística. Ao longo do ano, foram realizadas cinco exposições, além de oficinas de fotografia, cianotipia (técnica de impressão de imagens em tons azuis), bate-papos com os artistas e visitações guiadas com alunos da rede pública de ensino.

Também merece destaque a 9ª edição do Natal na Usina, um festival multicultural de artes, com conteúdo artístico produzido localmente nas mais diversas linguagens: exposições de artes visuais, artes cênicas, cultura popular, música e literatura. A programação foi toda gratuita e acessível, além de ser transmitida por TVs e rádios locais, atingindo indiretamente um público de mais de 100 mil pessoas.

– A Energisa, por meio da Usina Cultural,  está dando sequência ao seu programa de exposições dedicado exclusivamente aos artistas paraibanos, fomentando e fortalecendo, com isso, o reconhecimento dos filhos da terra e suas produções contemporâneas – relata Delania Cavalcante, coordenadora de Investimento Social da Energisa.

Natal na Usina
Natal na Usina

O futuro: Instituto Energisa e a Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho

O ano de 2022 foi marcado pela criação do Instituto Energisa, organização social do Grupo que assumiu, a partir deste ano, as ações de difusão e produção cultural. A instituto tem como propósito fortalecer as potências locais e promover a troca de conhecimento inter-regional, valorizando e integrando os diferentes sotaques que compõem as localidades atendidas pelo Grupo Energisa, por meio do desenvolvimento de ações socioculturais, esportivas, educativas e de inclusão.

O Instituto Energisa somará forças à FOJB na consolidação das políticas de investimento social do Grupo Energisa, e nasce com intuito de reestruturar os centros culturais geridos pela FOJB, preservando o seu legado e trazendo inovação, com uma programação ainda mais diversa.

A Fundação Ormeo Junqueira Botelho terá o papel de resgatar e preservar a memória e o patrimônio material e imaterial da Zona da Mata Mineira, com a reestruturação dos espaços de memória como o Museu Energisa (Cataguases) e a Casa de Leitura (em Leopoldina), que passará a se chamar Casa da Memória. 

Em 2025, em meio às celebrações dos 120 anos do Grupo Energisa, a FOJB inaugurará o Museu Parque Usina Mauricio, que terá o papel de ressignificar a paisagem cultural da primeira Usina, instalada quando o Grupo ainda se chamava Companhia Força e Luz Cataguazes – Leopoldina.

Usina Maurício
Usina Maurício



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A seguir, baixe o relatório completo com as atividades realizadas pela FOJB em 2022.

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Prevenção de acidentes com informação e acolhimento Prevenção de acidentes com informação e acolhimento

Publicada em: 11/09/2023

 Categoria:

 Segurança

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Prevenção de acidentes com informação e acolhimento

Imagine uma cena comum em qualquer cidade do país: um fim de semana de sol com crianças soltando pipas no telhado e pessoas trabalhando numa pequena reforma em suas casas. São cenas tão comuns em meio ao cenário urbano de ruas, muros e postes que por vezes esquecemos dos riscos de atividades realizadas perto da rede elétrica.

Seja na cidade ou no campo, os desafios são muitos quando o assunto é segurança: das pipas à construção civil, passando pelo intenso trabalho da agricultura no campo, cada atividade necessita de cuidados e esforços diferentes da Energisa para garantir a segurança e o bem-estar de seus clientes:

Para a comunidade, a gente tem uma abordagem especial. Temos um programa corporativo em que levantamos os principais perigos de cada região e levamos para a área de comunicação. Com esse mapeamento, podemos agir localmente. Por exemplo, há unidades onde o agronegócio é muito forte, então o principal risco nestas localidades está na área rural. Já em outras, os maiores riscos vêm das pipas e da intervenção não autorizada na rede, que é aquele puxadinho que a pessoa faz na reforma da casa, avançando para a rede e correndo o risco de sofrer um acidente", explicou André Pereira, coordenador corporativo de segurança da Energisa.

É com esse acolhimento que a Energisa se aproxima de seus clientes. Além das palestras e da distribuição de panfletos informativos, a empresa realiza uma conexão ativa com a comunidade local. A relação com líderes comunitários é fundamental, pois são eles que podem espalhar essas informações com legitimidade para um número maior de pessoas.

Nas escolas, a Energisa tem se aproximado cada vez dos jovens estudantes de forma lúdica e criativa. O “CIPA nas escolas” leva para dentro da sala de aula conversas sobre questões de segurança em relação à rede elétrica e prevenção de acidentes. Além da ação direta nas escolas, a CIPA também vem criando material para o WhatsApp e o TikTok, como forma de aumentar o alcance e engajamento.

CIPA nas escolas

Outra ação de grande impacto é o Nossa Energia, um caminhão que percorre várias cidades do país com muita informação sobre energia elétrica, desde dicas de eficiência energética até orientações de segurança. Em Sergipe, houve até uma companhia de teatro encenando uma peça sobre prevenção de acidentes na rede elétrica.

Essas ações de segurança da Energisa têm sido bastante efetivas na redução do número de ocorrências com pipas, por exemplo. De janeiro a junho de 2023, foram 346 ocorrências ligadas a pipas, uma queda significativa diante das 537 ocorrências durante o mesmo período do ano passado. Além do risco de acidentes, essas ocorrências também podem causar a interrupção no fornecimento de energia da região, impactando a vida de milhares de pessoas.

Pipas, papagaios ou cafifas: não importa como você chame esse brinquedo, o importante é saber que não é proibido soltar pipa, mas as linhas cortantes, aquelas com cerol, são sim consideradas crime. Além de poderem cortar os fios, essas linhas também podem produzir choque letais:

A criança está no chão, por exemplo, empinando uma pipa. Ela acha que está a salvo porque está longe do fio. Só que muitos dos materiais utilizados nesse brinquedo podem se tornar condutores de energia quando em contato com a rede e esse tipo de acidente costuma ser muito grave. É desconhecimento mesmo. Por isso, a nossa abordagem tem que ser muito lúdica, muito acolhedora", conta André.

Mesmo quando a linha não é cortante, vale ficar atento às rabiolas e pipas que terminam emboladas na fiação. Se isso acontecer, nunca tente retirá-las por conta própria: chame a assistência técnica da Energisa para resolver esse problema.

As pipas não são o único risco para a rede e para seus usuários. Uma informação valiosa para a sua segurança é que os choques elétricos não acontecem somente quando tocamos, cortamos ou algo se enrosca nos fios. Dependendo da tensão da rede, um choque por indução pode acontecer até mesmo a um metro de distância. É aí que a construção civil corre muitos riscos. Ampliar uma casa, uma varanda ou laje perto da rede elétrica pode trazer riscos fatais, bem como instalar antenas ou alterar a rede sem autorização. Esse tipo de serviço só pode ser feito por pessoal especializado, usando todos os equipamentos de proteção.

Quando falamos sobre construção, é importante o cliente entender que a Energisa não está cerceando o seu direito, estamos protegendo a sua vida. É algo básico, mas as pessoas não entendem o risco que é a questão da energia. Não é preciso tocar no fio para levar um choque. A questão da indução mata muita gente. Quando se faz um puxadinho que chega muito próximo da rede elétrica ou quando se utiliza materiais metálicos que se aproximam dela, a determinada distância acontece a descarga por indução. No campo é ainda pior: com as linhas de alta tensão, caminhões ou implementos agrícolas, no momento do basculamento por exemplo, podem expor seus ocupantes a risco grave de morte por indução", alerta André.

Com todo esse arsenal de informações e esse novo vocabulário, podemos nos proteger de acidentes simples, mas que podem ser fatais. Por tanto, se você precisa ampliar a sua casa, fazer alterações na rede ou até mesmo retirar uma pipa embolada em um fio, não deixe de contatar a Energisa através de seus canais de comunicação com o cliente. Pelo aplicativo, pelo telefone ou nas lojas físicas, seja no campo ou na cidade, um chamado é sempre atendido em um prazo entre 24h e 48h. Conte sempre com a Energisa para receber todo o apoio que você precisa para executar com segurança qualquer tarefa próxima a uma rede elétrica.

 

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Energisa e BNDES unem forças na conservação da Bacia do Xingu Energisa e BNDES unem forças na conservação da Bacia do Xingu

Publicada em: 06/09/2023

 Categoria:

 Sustentabilidade

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Energisa se junta à iniciativa Floresta Viva para impulsionar a restauração ecológica na bacia hidrográfica do Xingu

Reafirmando seu compromisso com a sustentabilidade dos biomas onde atua, a Energisa tem orgulho em participar do lançamento do edital Xingu dentro do programa Floresta Viva, que tem como objetivo a destinação de até R$ 26,7 milhões em recursos não reembolsáveis para projetos de restauração de áreas degradadas e fortalecimento de cadeias produtivas na Bacia Hidrográfica do Xingu, na região amazônica. O edital foi lançado em cerimônia realizada, nesta terça-feira, 5/9, no Teatro Estação Gasômetro, em Belém (PA).

A iniciativa é financiada pelo BNDES, em parceria com Energisa, Norte Energia e Fundo Vale. Cada parceiro contribuiu com R$ 4,45 milhões, e o BNDES igualou esse montante através de um cofinanciamento, culminando em um total de R$ 26,7 milhões de apoio disponível.

A Bacia do Rio Xingu, abrangendo aproximadamente 53 milhões de hectares e 50 municípios nos estados do Pará e Mato Grosso, desempenha um papel crucial na conexão de biomas, mas enfrenta o desafio do desmatamento, com uma perda de 730 mil hectares entre 2019 e 2022. O apoio a projetos de restauração desempenhará um papel vital na preservação desse corredor de biodiversidade.

– Reconhecemos a importância desses projetos nos biomas onde operamos, pois não apenas restauram ecossistemas valiosos, mas também contribuem para nossa ambição de ser uma empresa net zero (neutra em emissão de gases de efeito estufa). Além de investir em soluções tecnológicas, o Grupo Energisa está atento em promover soluções baseadas na natureza, entendendo que a combinação de inovação tecnológica com o poder da natureza é fundamental para um futuro sustentável e resiliente – diz Tatiana Feliciano, diretora de Gestão e Sustentabilidade do Grupo Energisa.

O edital busca apoiar até nove projetos distribuídos em três regiões cruciais: Baixo Xingu, Médio Xingu e Alto Xingu, englobando os estados do Pará e Mato Grosso. Os projetos propostos devem abordar a elaboração e aprovação de diagnósticos e planos de restauração, a implementação e o monitoramento, bem como o fortalecimento das cadeias produtivas relacionadas à restauração das áreas selecionadas. O prazo para a execução desses projetos é de até 48 meses. A administração do edital ficará a cargo do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP).

O edital está aberto a instituições sem fins lucrativos, incluindo associações civis, fundações privadas nacionais e cooperativas em qualquer estágio de constituição. Os interessados podem enviar suas propostas até o dia 6 de novembro através do formulário eletrônico disponível no site: https://chamadas.funbio.org.br/floresta-viva-restauracao-bacia-do-rio-xingu.

O programa Floresta Viva, onde o edital Xingu está inserido, se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, contribuindo para as metas globais de combate às mudanças climáticas ao apoiar projetos de restauração ecológica e preservação da biodiversidade em diversos biomas. O BNDES estima que o programa como um todo alcançará R$ 1 bilhão em investimentos para restaurar entre 32 mil e 66 mil hectares e retirar até 18 milhões de toneladas de CO2 da atmosfera, fortalecendo, assim, a luta contra as mudanças climáticas globais.

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Onde há fumaça, há fogo? Onde há fumaça, há fogo?

Publicada em: 28/08/2023

 Categoria:

 Inovação

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Brasil

Onde há fumaça, há fogo?

O Pantanal é um bioma único e rico em biodiversidade, mas também é um dos mais vulneráveis à seca e aos incêndios florestais. Em 2020, os incêndios florestais no Pantanal devastaram mais de um quarto do bioma, matando milhões de plantas e animais. Queimadas naturais costumam acontecer no período da seca, de julho a outubro, mas a ação humana tem aumentado significativamente o número de incêndios – seja pelas consequências das mudanças climáticas, como as secas prolongadas, seja pelo uso descontrolado do fogo, como na limpeza de áreas de pastagem.

Na preservação ambiental, um dos objetivos é identificar rapidamente possíveis focos de incêndio e agir imediatamente para detê-los. Para ajudar a proteger esse rico ecossistema, a Energisa se aliou ao projeto Abrace o Pantanal, que utiliza uma combinação inovadora de câmeras, software de IA e equipes de acompanhamento para monitorar grandes áreas do Pantanal e identificar possíveis focos de incêndio de maneira preventiva.

A inteligência artificial é fornecida pelo software Pantera, desenvolvido pela startup Umgrauemeio e baseado em uma rede neural que foi treinada em um conjunto de dados de imagens de fumaça. O software de IA analisa as imagens das câmeras instaladas em torres de comunicação e outras estruturas no Pantanal em busca de sinais de fumaça. Ao identificar um possível foco de incêndio, o sistema faz uma triangulação, acionando outras câmeras para que elas confirmem se aquilo é realmente uma fumaça, um fogo. Com isso, em apenas 3 minutos, é possível identificar uma fumaça a quilômetros de distância. Quando isso acontece, o sistema envia um alerta para as equipes de monitoramento, que conferem as imagens manualmente e acionam o Corpo de Bombeiros para o envio de uma brigada de combate ao incêndio.

A iniciativa, inédita no Brasil, é uma das maiores do mundo de detecção preventiva de incêndios, com atenção 24 horas por dia, câmeras de monitoramento, inteligência artificial e brigadas. O Abrace o Pantanal protege 2,5 milhões de hectares do bioma, o equivalente ao território da Bélgica, e evitou a emissão de mais de 5 milhões de toneladas de CO2 em 2022.

Histórico do projeto

Na primeira fase do projeto Abrace o Pantanal, os equipamentos foram instalados em 11 torres já existentes, começando pelo território da Serra do Amolar, uma das áreas mais isoladas do Pantanal e que teve mais de 90% de sua rede de proteção afetada nos incêndios de 2020. O ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) cedeu um avião para o transporte de 3 toneladas de equipamentos até a região, o que permitiu o início do projeto de monitoramento, em parceria com a JBS.

A Energisa começou a apoiar a iniciativa há cerca de um ano, instalando inicialmente 2 câmeras com giro 360º em torres de comunicação que ficam em sua área de concessão. Na Central de Gestão, operadores treinados ficam monitorando os alertas emitidos pela inteligência artificial e decidem o que fazer com a ocorrência: 

– Ao analisar aquela imagem, o operador avalia se realmente é uma queimada, pois pode ser uma pessoa fazendo churrasco, por exemplo. A IA detectou uma fumaça, mas pode não ser uma queimada. O operador interpreta aquilo e, se de fato identificar o perigo, aciona o Corpo de Bombeiros que então vai combater aquela queimada. Com isso, reduzimos o tempo de operação, de combate ao incêndio e evitamos que ele eventualmente se alastre, tome uma proporção maior. Essa é a ideia do projeto – explica Vinícius Ferreira Goulart, Engenheiro de Inovação do Grupo Energisa.

Treinando a inteligência artificial

A introdução da ferramenta tecnológica no Centro de Operações da Energisa não foi tão simples assim, pois exigiu uma mudança de rotina para o bom uso do novo sistema de monitoramento e, sobretudo, para ultrapassar as barreiras do desconhecimento e do ceticismo em relação à IA.

  

O “falso positivo”, quando a IA confunde algumas imagens com a fumaça e gera alertas falsos, foi uma das principais dificuldades encontradas no início do projeto. A inteligência artificial é capaz de processar rapidamente um grande volume de imagens e identificar manchas cinzas que podem ser sinais de fumaça, ou focos vermelhos e amarelados, que podem indicar a presença de fogo. Mas como ela pode saber se aquilo é realmente uma fumaça ou um fogo?

– Ela pegava, por exemplo, um espelho d’água, que tem um reflexo um pouco cinza, e aquilo às vezes parece fumaça, isso enganava a inteligência artificial. Então no começo do projeto, ela disparava alguns alertas, achando que aquilo era fumaça, mas não era, então o operador ia lá e corrigia. Ensinava à IA, “isso não é uma queimada”, e assim retroalimentava a inteligência. Outro tipo de falso positivo era com farol. À noite, aparecia aquela cor amarelada, a IA achava que era, também o operador verificava e corrigia. Então o operador ia retroalimentando a IA até que ela ficasse bem calibrada e mais eficaz. Esta é uma participação importante do ser humano neste processo – detalha Vinícius.

Com o tempo, o treinamento da inteligência artificial foi surtindo efeito e hoje já chega a um recall de 91%, que é a capacidade de um modelo para detectar todas as amostras positivas.

– É preciso ir junto com a IA, e com o tempo ela vai pegando. Ela vai aprendendo com o que vai acontecendo, e vai refinando. E realmente funcionou – relata Sharles Mendes, supervisor do Centro de Operações da Energisa. – O grupo começou a acreditar nas detecções da ferramenta quando ela evitou uma grande queimada no fim de 2022. Ela havia aprendido, ficou claro para todos! Foi uma queima em uma propriedade privada que poderia tomar grandes proporções. A ferramenta alertou adequadamente, fizemos o acionamento dos bombeiros e vimos que a coisa realmente funcionava.

Parceria com o Corpo de Bombeiros

A implementação dessa solução inovadora é resultado de um empenho coletivo da comunidade local, organizações não governamentais e setor privado, unindo diferentes habilidades e tecnologias. Além da Energisa, há uma rede de parceiros que atua em benefício da preservação ambiental do Pantanal, como a Brigada Aliança, o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e o Polo Socioambiental Sesc Pantanal.

Outra parceria fundamental para o projeto é o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso. Terceiro maior estado do Brasil, o Mato Grosso possui uma ampla área rural com regiões bem distantes de centros urbanos, de modo que é preciso ter uma rede de parcerias, com monitoramento preciso e fácil comunicação, para poder evitar deslocamentos desnecessários e melhorar o tempo de resposta.

 – Sozinhos temos uma abrangência muito pequena. A parceria com a Energisa foi uma forma de prevenir os incêndios florestais. Elaboramos o Plano Conjunto de Prevenção aos Incêndios Florestais e Queimadas 2023, onde constam os objetivos da parceria e um cronograma de execução detalhando quais ações a serem realizadas, por quem e quando – conta Sheila Sebalhos, tenente-coronel do Comando Regional 1 (CR1) do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso (CBMMT).

A partir desse plano, foram identificadas as áreas de conservação próximas às linhas de transmissão da Energisa que são mais vulneráveis a incêndios florestais, onde são realizadas ações preventivas como limpeza das áreas, retirada de resíduos e materiais inflamáveis, e implementação de asseios. Além disso, colaboradores da empresa passaram por um treinamento do Corpo de Bombeiros, aprendendo técnicas de combate a incêndios florestais, primeiros socorros e segurança do trabalho, de modo a se capacitarem para um eventual atendimento inicial até a chegada dos brigadistas.

Outra medida importante foi a criação de uma linha direta (hotline) para acionamento do Corpo de Bombeiros. Antes, quando necessário, eles eram acionados pelos operadores da Energisa através da central de atendimento comum disponibilizada pela instituição. Com o projeto e a necessidade de resposta rápida às detecções da IA, além da transmissão de imagens e coordenadas de localização, fez-se necessária a criação de um canal exclusivo de comunicação. Essa precisão e agilidade fizeram a diferença num caso de julho deste ano, quando os bombeiros foram acionados pela equipe da Energisa:

– Como foi repassado ao Corpo de Bombeiros o trajeto georreferenciado das linhas de transmissão da Energisa, conseguimos fazer o envio das equipes ao local específico, no ponto exato, e eventualmente ter contato com quem está próximo para tentar perceber a gravidade da situação e evitar deslocamentos desnecessários – conta a tenente-coronel Sheila.

Resultados

Trazer uma inovação dessa natureza com impactos socioambientais positivos através da prevenção gerou um sentimento positivo nos colaboradores da Energisa e também uma nova relação da empresa com a comunidade, com os órgãos públicos e com a sociedade em geral. 

– Nós éramos muito reativos antes da ferramenta aqui no Centro de Operações, ou seja, agíamos depois que já se tinha um determinado problema. Quando veio a ferramenta, tivemos a possibilidade de conseguir agir quando a coisa está começando a acontecer. Agora estamos sendo proativos. Estamos vendo como a empresa pode ser ágil e ter cuidado com o Pantanal – orgulha-se Sharles.

Claro que a Energisa também tem benefícios diretos, uma vez que, ao monitorar os focos de incêndio, evita que as queimadas afetem sua rede de transmissão e gerem interrupção no fornecimento de energia elétrica. Mas o foco do projeto é sempre a proteção da fauna e da flora pantaneiras:

– Durante a experimentação em si, a gente não verificou nenhum prejuízo neste sentido, pois não teve nenhuma ocorrência nas nossas redes. O que evidencia um bom resultado, pois evitamos que a queimada chegasse na rede. O número que temos é o de queimadas identificadas pela IA, que são mais de 170 – comemora Vinícius. 

Sobre o Abrace Pantanal

O Abrace Pantanal faz parte de uma iniciativa ainda maior chamada Abrace a Floresta que, por também meio da plataforma Pantera, traz uma dimensão ampla de monitoramento e gestão na prevenção e combate a incêndios em tempo real, com proteção da biodiversidade. A intenção do Abrace a Floresta é triplicar o alcance do projeto no Pantanal, além de futuramente estendê-lo a outros parques e reservas nacionais, como a Chapada dos Veadeiros (Goiás), Chapada dos Guimarães (MT) e áreas da Amazônia.

Impactos do projeto Abrace Pantanal em 2022

 

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